Manso Neto: “A descarbonização não é só substituir um tipo de produção energética por outra”

O presidente da Elecpor defende que a transição energética deve assentar numa “eletrificação maciça da economia” e incentivo à eficiência energética.

O presidente da Elecpor – Associação portuguesa das empresas do setor elétrico acredita que o caminho para a descarbonização da economia portuguesa não vai passar apenas por uma substituição do consumo de combustíveis fósseis por energias renováveis. João Manso Neto defende que a transição energética deve assentar numa “eletrificação maciça da economia” e incentivo à eficiência energética.

“A descarbonização da economia não passa meramente por substituir um tipo de produção por outra. Mesmo introduzindo mais energias renováveis no tecido produtivo o efeito não é imediato”, afirmou João Manso Neto, no 10.º encontro anual da Elecpor. “Da mesma forma, não deve ser apenas tornar a eletricidade mais barata”, acrescenta.

João Manso Neto defende que, além de um reforço da aposta em energias mais limpas, a transição energética deve incidir uma “eletrificação maciça da economia”. O presidente da Elecpor lembra que a política energética é o elemento crucial para a concretização da descarbonização e são necessárias mudanças no setor energético.

Além de alterações no setor elétrico, João Manso Netro sublinhou que outros contribuintes importantes como os transportes, a indústria, os setores comercial e residencial e a agricultura deverão ser também objeto de intervenção.

A descarbonização da economia é uma das metas da União Europeia para os próximos anos. No final de 2016, Bruxelas publicou o chamado “Clean Energy Package”, que define como objetivo para 2030 uma redução das emissões de gases em 80% face às emissões registadas na década de 1990. Em 2050, a meta é atingir uma quebra de 95%.

No caso de Portugal, essa redução deve ser de 40%, de forma a dar cumprimento às novas metas do IPCC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas), divulgado a 8 de outubro.

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