Manuel Vieira: Rei da batata doce quer investir no Alqueva

Saiu do Pico, Açores, com 17 anos. Trocou o Brasil, onde esteve dez anos, pelos Estados Unidos. Na Califórnia,tornou-se no maior produtor do mundo de batata doce. Agora, vai tentar replicar o sucesso num projeto agrícola no Alqueva. Manuel Eduardo Vieira é o único homem nos Estados Unidos cuja placa do automóvel diz ‘King Yam’.

É a maior produtora mundial de batata doce do mundo e é detida por Manuel Eduardo Vieira, que emigrou do Pico, Açores, em 1962. O ex-presidente Cavaco Silva fê-lo comendador da Ordem de Mérito.

A empresa norte-americana A. V Thomas Produce – maior produtora mundial de batata doce e importante produtora de inhame – vai avançar com um projeto na área da produção agrícola a instalar no perímetro do Alqueva, avançou ao Jornal Económico uma fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros – que se escusou a adiantar mais pormenores “dado ser informação ainda reservada”.

Instalada na Califórnia, Estados Unidos, desde o início dos anos 60 do século passado, a A. V Thomas – lançada por António Vieira Tomás – iniciou a produção de batata doce numa área de cerca de quatro hectares. Alguns anos mais tarde, em 1977, o empresário vendeu o negócio a um sobrinho, Manuel Eduardo Vieira, também ele oriundo do Pico, que relançou a empresa pela qual pagou na altura 145 mil dólares.

Introduzindo técnicas inovadoras à produção da batata doce, Manuel Eduardo Vieira foi acrescentando paulatinamente mais hectares àqueles que tinha adquirido. Atualmente, a propriedade tem mais de 1.200 hectares – o que a transforma no maior produtor de mundo de batata doce – onde, nas épocas da apanha, trabalham cerca de 900 trabalhadores e responde por um volume de negócios que ultrapassa os 50 milhões de euros.

Foi esta dimensão que levou o Ministério dos Negócios Estrangeiros – em colaboração com o IAPMEI – a ‘aliciar’ o empresário a investir em Portugal. O Ministério liderado por Augusto Santos Silva “tem desenvolvido um trabalho muito ativo de captação de investimento junto da diáspora”, o que tem feito, segundo aquela estrutura, com que “um elevado número de empresários de origem portuguesa e reconhecidos nos seus países de acolhimento tenham decidido, ou estejam a ponderar, investir em Portugal”.

É o caso de Manuel Eduardo Vieira – que, contactado pelo Jornal Económico, não quis avançar pormenores do negócio. Saiu do Pico em 1962, com apenas 17 anos, e rumou ao Brasil, onde esteve nos dez anos seguintes, tendo concluído estudos superiores na área da gestão. Acabaria por trocar o Brasil pelos Estados Unidos, onde um tio, António Tomás, iniciara um projeto agrícola de produção de batata doce, instalado na Califórnia.

Alguns anos mais tarde, em 1977, Manuel Eduardo Vieira comprou o negócio ao tio e em 1988 optou por investir na produção biológica de batata doce (e de inhame), numa altura em que o termo ‘biológico’ ainda não fazia parte nem da moda, nem do léxico e das práticas da agricultura.

A aposta não podia ter-se revelado mais acertada: a produção ocupa neste momento cerca de 1.200 hectares, o que transformou a A. V Thomas Produce no maior produtor mundial de batata doce biológica, que fornece todas as maiores cadeias norte-americanas do retalho – conseguindo distribuir o produto ao longo de todo o ano.

As instalações industriais compreendem uma capacidade de armazenamento de cerca de 180 mil metros quadrados e as suas sete linhas de embalamento permitem carregar seis docas de carga, de onde podem sair até 100 camiões por dia. Anualmente, são produzidas cerca de 136 mil toneladas de batata doce na A. V Thomas.

Em 2013, Manuel Eduardo Vieira foi o vencedor da primeira edição do ‘Best Leader Awards (BLA) EUA’ na categoria de ‘Lifetime Achievement’, galardão que pretende tornar públicas e incentivar práticas de gestão responsáveis e socialmente comprometidas e que foi entregue no Hyatt Fisherman’s Wharf, em São Francisco.

Alguns anos antes, em 2011, o então presidente Aníbal Cavaco Silva atribuiu a Manuel Eduardo Vieira a comenda da Ordem de Mérito. Talvez menos importante mas igualmente sintomático foi o ‘galardão’ que em 1993 lhe foi atribuído pela cadeia de supermercados Safeway: uma matrícula de automóvel personalizada, com as palavras King Yam (Rei da Batata Doce).

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