Marisa Matias: “O BE quer ter mais poder de intervenção no futuro do país”

Marisa Matias acredita que só uma governação à esquerda pode dar resposta aos problemas sociais e laborais que abalam o país e não descarta alianças com quem estiver disponível para avançar com políticas de esquerda para o país.

A eurodeputada do Bloco de Esquerda (BE) Marisa Matias faz um balanço positivo dos três anos dos acordos à esquerda, que colocaram o Partido Socialista (PS) no poder, mas diz que chegou a hora do BE ser “força de Governo”. Marisa Matias acredita que só uma governação à esquerda pode dar resposta aos problemas sociais e laborais que abalam o país e não descarta alianças com quem estiver disponível para avançar com políticas de esquerda para o país.

“Queremos uma relação de forças diferente que permita avançar em áreas que até agora não avançaram, nomeadamente as questões laborais e a recuperação dos serviços públicos, particularmente no que diz respeito à educação e saúde”, afirma ao Jornal Económico, a eurodeputada. “Estes são os nossos eixos centrais que não foram totalmente cumpridos nesta legislatura”.

Marisa Matias diz que “houve um caminho que foi feito e que trouxe ganhos às pessoas, sobretudo na recuperação de rendimentos, aumento de pensões e salários, mas está longe de ter resolvido todos os problemas da sociedade portuguesa”. A bloquista diz ainda que “é urgente dar resposta à fragmentação do projeto europeu e reforçar a democracia, não só para garantir a nossa soberania no que toca às políticas públicas e económicas, mas também como garantia de bem-estar democrático”.

Na moção A, “Um Bloco mais forte para mudar o país”, da qual é uma das proponentes, Marisa Matias não descarta a possibilidade de fazer acordos à esquerda, após as eleições do próximo ano. A moção aponta, especialmente, para uma convergência à esquerda com o Partido Comunista (PCP). “Estaremos disponíveis para dialogarmos com quem estiver disponível para avançar com políticas de esquerda para o país. No caso do PCP, há uma margem de acordo grande, nomeadamente em questões como os direitos laborais, as políticas económicas e os direitos sociais”, explica a eurodeputada.

“Creio que as pessoas perceberam que não há contradição entre convergência e identidade. Os partidos não perderam a sua identidade, mas conseguiram convergir com aquilo que era essencial para acabar com o Governo de direita do PSD”, diz ainda Marisa Matias, referindo-se aos últimos três anos de Governo do PS, suportado pelos acordos à esquerda.

Nesta XI Convenção Nacional do BE, as três principais fações do partido estão unidas e apoiam uma só moção: a moção A. Marisa Matias explica estão união como sendo “uma nova fase do partido”. “Nós queremos disputar maior peso na relação de forças e ter mais poder de intervenção no futuro do país. Não havendo divergências [entre as três fações] não há razões para não estarmos juntos. Trata-se de uma missão política estratégica para o futuro do país”, sublinha.

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Na moção A “Um Bloco mais forte para mudar o país”, que acolheu o maior número de votos na eleição prévia de delegados, os bloquistas afirmam que querem ser “força do Governo” e prometem fazer “tudo aquilo que o Partido Socialista (PS) não fez”.
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