Marques Mendes: o melhor da semana é o acordo para o novo aeroporto

O comentador admite que “o grande entrave” para a concretização deste investimento, que avalia em cerca de 1,1 mil milhões de euros, continua a residir na esfera ambiental, como o Jornal Económico avançou em primeira mão na edição impressa do passado dia 4 de janeiro.

Marques Mendes considera que o acordo anunciado entre o Estado português e o grupo francês Vinci, que detém a concessão dos aeroportos da ANA, previsto para a próxima terça-feira, dia 8 de janeiro, é “o melhor da semana”.

No seu habitual programa de comentário semanal na estação televisiva SIC, o comentador explicou que considera ser esta a melhor notícia da semana porque o novo aeroporto do Montijo não vai ser apenas para as companhias aéreas ‘low cost’, mas para todo o tipo de transportadoras aéreas; pelo facto de o investimento nessa infraestrutura, na ampliação do aeroporto da Portela, “que se irá prolongar por 15 anos”, pelas indemnizações pela deslocação da Força Aérea para fora daquele espaço, e também pelas infraestruturas associadas, será integralmente custeado pela Vinci, sem gastos para o erário púbico.

“E também porque é um investimento muito significativo, de cerca de 1,1 mil milhões de euros”, revelou Marques Mendes há minutos.

O comentador ressalvou, no entanto, que “o grande entrave” ao prosseguimento deste projeto continua a ser ao nível do Ambiente, como o Jornal Económico avançou na sua edição impressa na edição do passado dia 4 de janeiro.

Ainda sobre esta matéria, Marques Mendes sublinhou que um dos ministros que se está a destacar nos últimos tempos no governo de António Costa, é Pedro Marques, que tutela a pasta do Planeamento e das Infraestruturas, sublinhando que em quatro dias vai liderar várias iniciativas nesta área: segunda feira, o lançamento do concurso público internacional para aquisição de comboios para a CP; na terça-feira a assinatura do referido memorando entendimento entre o Estado português e a Vinci para a construção do aeroporto do Montijo e para a ampliação do aeroporto Humberto Delgado; na quarta-feira, o lançamento do concurso público internacional para a expansão da rede do Metropolitano de Lisboa, entre o Rato e o Cais do Sodré (embora esta seja uma área da tutela direta de João Pedro Matos Fernandes, ministro do Ambiente); e, por fim, na quinta-feira próxima, a ida a Conselho de Ministros do novo plano de infraestruturas nacional – o PNI – Plano Nacional de Investimentos 2030, com um valor de investimento avaliado em mais de 20 mil milhões de euros.

Outro ministro em evidência para Marques Mendes é o das Finanças. Reconhecendo que Mário Centeno recebeu o prémio de melhor ministro das Finanças da União Europeia, atribuído na semana passada pela revista ‘The Banker’, do grupo editorial ‘Financial Times’, o comentador defendeu que as sucessivas aparições deste governante se inserem numa “estratégia político-eleitoral do governo, no sentido de ter um governo bicéfalo”, ou seja um ministro das Finanças virado para as questões económicas, enquanto o primeiro-ministro fica mais dedicado aos temas políticos.

“Acho que vamos ter mais disto nos próximos meses”, opinou Marques Mendes, admitindo que Mário Centeno “é um ministro muito popular”, “é o homem das contas certas”, “uma imagem de marca do governo”, que poderá ser utilizado como um trunfo num momento que “a economia vai começar a arrefecer”.

“É nesse plano que o governo quer usar Mário Centeno. É uma estratégia político-económica do governo, uma espécie de válvula de segurança”, avançou o comentador.

Sobre as declarações de Mário Centeno relativamente ao processo negocial com os professores, Marques Mendes entende que “ou isto fica na mesma, ou o governo ameaça não fazer nenhum decreto, ou então, repete-se o decreto que foi vetado”.

“Estamos perante um jogo político-eleitoral e as vítimas são os professores”, previu o comentador

Marques Mendes mostrou-se ainda muito preocupado com a nova presidência de Jair Bolsonaro, avisando que “Portugal não irá ser um ponto central da política externa do Brasil”.

“Não tenho grande esperança naquilo que vai acontecer no Brasil. Tenho, aliás, uma grande preocupação. Temo algum retrocesso político, económico e civilizacional”, observou.

Marques Mendes considerou ainda que Marcelo Rebelo de Sousa fez bem em ir à tomada de posse de Jair Bolsonaro, mas qualificou o discurso da tomada de posse do novo presidente brasileiro como “deprimente”.

Sobre o processo dos vistos Gold, que durante a passada semana ilibou o ex-ministro Miguel Macedo, Marques Mendes alertou que é amigo pessoal do visado há cerca de 40 anos, classificando o seu comportamento ao longo de todo o processo como “exemplar”, porque “não se agarrou ao lugar e saiu” e porque “não abriu a boca” enquanto as investigações decorreram.

Sobre o Ministério Público, disse: “eu não falaria de derrota ou vitória, isto é um revés, e já é o segundo depois do caso ‘e-toupeira'”.

“Quanto ao Ministério Público, é preciso que as investigações tenham solidez, consistência não basta investigar. E o Ministério Público tem de refletir. Quanto às pessoas em geral, têm de se habituar que uma acusação não é uma condenação”, resumiu Marques Mendes.

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