Matos Fernandes: Portugal “vai ser 100% sustentado por energias renováveis em 2050”

O ministro do Ambiente e da Transição Energética defende que a próxima década vai ser crucial para garantir a descarbonização da sociedade, mas é preciso ser adotada uma mudança urgente de comportamento.

O ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, acredita que Portugal está no bom caminho para ser 100% sustentado por energias renováveis em 2050. João Matos Fernandes defende que a próxima década vai ser crucial para garantir a descarbonização da sociedade, mas é preciso ser adotada uma mudança urgente de comportamento.

“Para conseguimos cumprir o Acordo de Paris temos de transformar sem precedentes a sociedade, diminuir com urgência as emissões em todos os setores de atividade, sendo que não o conseguiremos sem mudanças comportamentais”, sublinhou o ministro do Ambiente, no 10.º encontro anual da Elecpor, que decorreu esta sexta-feira.

O ministro defendeu que para atingir a neutralidade carbónica, “temos de fazer uma transição energética e uma alteração do modelo atual sustentado nos combustíveis fósseis”. “Esta transição será em alguns momentos disruptiva, mas teremos sempre que fazer um esforço para que esta disrupção seja planeada. No que diz respeito à mobilidade, ela vai mesmo ser disruptiva e aqueles que andam a dizer que em 2040 não haverá mais automóveis nas cidades vão ser surpreendidos porque tal acontecerá bem antes disso”, salientou o governante.

João Pedro Matos Fernandes disse não ter dúvidas de que o país “vai ser 100% sustentado por energias renováveis em 2050”. O ministro garantiu que o encerramento das centrais a carvão deve ser feito antes de 2030, dada “a aposta inequívoca nas energias renováveis e o compromisso de todos” nesta transição.

A eletricidade assumiu um papel de destaque para ultrapassar os produtos de petróleo e as tecnologias de produção de energia eólica e solar, por terem custos mais baixos, vão ser as primeiras a avançar. Para isso, o ministro disse que “é evoluir para um sistema preparado para dar licenças para construir centros eletroprodutores que nos permitam produzir a eletricidade renovável de que precisamos para alcançar as metas previstas já para 2020”.

“A eletricidade tem de ser competitiva face às alternativas fósseis e, para isso, é instrumental uma verdadeira internalização dos efeitos ambientais associados ao uso dos combustíveis fósseis. É neste quadro que vamos avançar com a eliminação progressiva das insenções de taxas de carbono”, indicou. “Constatando-se um aumento generalizado no preço dos combustíveis, este é também o momento para avançar com um mecanismo de compensação dos custos indiretos na eletricidade”.

A descarbonização da economia é uma das metas da União Europeia para os próximos anos. No final de 2016, Bruxelas publicou o chamado “Clean Energy Package”, que define como objetivo para 2030 uma redução das emissões de gases em 80% face às emissões registadas na década de 1990. Em 2050, a meta é atingir uma quebra de 95%.

No caso de Portugal, essa redução deve ser de 40%, de forma a dar cumprimento às novas metas do IPCC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas), divulgado a 8 de outubro.

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