Menos de 10% das ajudas que saem de países europeus chegam aos destinos mais carenciados. Segundo uma investigação de uma rede europeia de ONGs, também o nível de ajudas de emergência para estes países caiu pelo segundo ano consecutivo.
De acordo com o relatório da AidWatch, citado pelo The Guardian, esta quarta-feira, a União Europeia (UE) e os seus estados membros continuam a ser o maior grupo de doadores de países em desenvolvimento do mundo, tendo investido 71,9 mil milhões de euros em 2018, mais da metade da ajuda global. Apesar deste valor, esta contribuição foi 5,8% menor do que aquela registada em 2017.
O compromisso da ONU de gastar 0,7% da produto nacional bruto (PNB) em ajudas, estabelecida em 1970, não tem sido respeitado, explicou o grupo. A pesquisa mostrou que a ajuda caiu para 0,47% do PNB combinado da UE no ano passado, em comparação com 0,49% em 2017 e 0,51% em 2016.
Apenas a Suécia, o Luxemburgo, a Dinamarca e o Reino Unido cumpriram o compromisso de 0,7%, enquanto que a ajuda da Itália, Grécia, Finlândia, Áustria e Lituânia diminuiu 10%.
Apesar de um aumento marginal da ajuda para os países menos desenvolvidos (de 0,11% em 2017 para 0,12% em 2018), 16 países, entre os mais pobres do mundo, atualmente recebem apenas 8% do financiamento da UE, constatou a AidWatch.
O relatório dos países menos desenvolvidos da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento , também publicado nesta semana, instou os países mais pobres do mundo a garantir que o financiamento externo de todas as fontes seja “direcionado às prioridades nacionais de desenvolvimento” como a melhor maneira de “gerir a sua dependência de ajuda e, eventualmente, escapar ”.

