Microempresas conquistam liderança nas exportações

Em 2016, as exportações foram responsáveis por 80% do crescimento da economia portuguesa, quando, há duas décadas, o motor do crescimento era a procura interna. E são as microempresas que estão a vender ao estrangeiro.

O padrão de crescimento da economia portuguesa mudou de forma significativa nos últimos 20 anos, passando de um motor movido pela procura interna para outro, assente nas exportações, num movimento que tem por base a atividade das microempresas.

No ano passado, as exportações foram responsáveis por um crescimento de 1,2% do produto interno bruto (PIB), em volume. Ou seja, a procura externa foi responsável por quatro quintos do crescimento da economia, enquanto à procura interna coube uma contribuição de apenas 0,3 pontos percentuais. Este é um cenário diametralmente oposto ao que se vivia na economia portuguesa há duas décadas, quando a procura interna representava 76,1% do crescimento do PIB e as exportações apenas 23,9%.

No estudo sobre a evolução das exportações portuguesas entre 1996 e 2016, elaborado pela Iberinform, filial da Crédito y Caución especializada em Business Intelligence, informação empresarial e recuperação de créditos, é feito um retrato de um período que foi marcado pela abertura da economia portuguesa ao exterior, depois de Portugal ter passado a integrar a então Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1986.

Foi uma altura em que a economia portuguesa aumentou “fortemente o seu grau de abertura ao exterior, e as exportações passaram a ser determinantes para o crescimento do PIB”, destaca o estudo.

De acordo com as previsões para a Economia Portuguesa do Plano de Estabilidade e Crescimento 2017/2021, com um crescimento real anual de 4,5% das exportações e um crescimento crescente da economia – de 1,8%, este ano, para 2,2%, em 2021 – o peso das exportações deverá ultrapassar a metade do PIB – com 50,17% – no final do período.

Microempresas ultrapassam PME

As pequenas e médias empresas (PME) perderam peso nas exportações nacionais durante as últimas duas décadas, decrescendo substancialmente de um valor conjunto de quase 62%, para 12,9%. Esta análise da Iberinform reforça ainda que, hoje, são as microempresas que suportam o novo modelo de crescimento da economia portuguesa, assente nas exportações. Em 2015, estas empresas representaram quase 87% do total das exportadoras nacionais, quando há duas décadas se ficavam pelos 37%.

No total das empresas exportadoras, as mais recentes (constituídas entre 2010 e 2015) são as que apresentam menor risco de incumprimento (avaliado pelo Score Iberinform), bem como uma menor incidência de dissoluções de insolvências e cessões de atividade.

As novas empresas exportadoras nacionais têm um maior peso de empresas de elevado crescimento, com uma maior taxa de exportação e uma menor dependência do mercado interno.

São empresas com uma maior produtividade e menor Risco Financeiro (menor absorção de Valor Económico por Juros e outros custos de financiamento, maior cobertura e menor peso do endividamento remunerado, maior autonomia financeira). As novas empresas exportadora apresentam, ainda, uma maior Rendibilidade Financeira.

Turismo conquistou destaque

O estudo “Economia Portuguesa: duas décadas de transformação. Um novo modelo de crescimento assente nas exportações” veio também sublinhar o quanto as exportações de serviços têm vindo a ter uma influência cada vez maior no crescimento das exportações nacionais, com especial ênfase para a performance do Turismo. Os serviços passaram de 21,8% do total em 1995, para 28,4% em 2016.

Quanto às exportações de bens, o estudo salienta o seu aumento e uma maior diversificação ao longo das duas últimas décadas, com o aumento do peso relativo de produtos que tinham menor expressão e com a quebra de produtos que tinham um maior peso como, por exemplo, os Plásticos e Borracha (de 2,6% para 7,5%), os Produtos Agrícolas (3,1% para 6,6%), que em conjunto com os alimentares passam de 7,5% para 11,8%, ou os veículos e outro material de transporte passam de 9,7% em 1995, para 15,4% em 1996 e para 11,3% em 2016.

Espanha lidera e está a crescer

Em termos de evolução de mercados, evidencia-se o expressivo aumento do peso de Espanha, que evolui de 4,1% em 1985, para 15,7% em 1995, para alcançar os 26,2% em 2016. Alemanha e de França também aumentam o seu peso com a adesão à CEE, passando de 13,7% e 12,7% respetivamente, em 1985, para 21,3% e 14,1% em 1995, com quebra posterior para 11,6% e 12,6%, respetivamente, em 2016.

Com a adesão à UE dos países da Europa de Leste, as empresas portuguesas realizam o seu potencial e fazem aumentar o peso da Roménia para 0,8%, da Hungria (0,4%) e das eslavas Polónia (1,1%), República Checa (0,6%) e Eslováquia (0,4%). De salientar, ainda, os mercados do Norte de África – Marrocos (1,4%), Argélia 0,9%) e Tunísia (0,4%). A China também aumenta de 0,1% em 1995 para 1,3% em 2016.

 

Artigo publicado na edição digital do Jornal Económico. Assine aqui para ter acesso aos nossos conteúdos em primeira mão.

Ler mais

Recomendadas

“Os problemas do ambiente marinho vão além da sobrepesca ou poluição”, diz ministro do Mar

Celebra-se este sábado o Dia Nacional do Mar. Ricardo Serrão Santos esteve com representantes nacionais das instituições ligadas à pesca, em Sesimbra, onde alertou que “os oceanos de hoje foram levados ao limite pela praga do nosso tempo, o aquecimento global”.

Bloco de Esquerda defende englobamento no IRS para criar mais justiça fiscal

A coordenadora do BE, Catarina Martins, defendeu este sábado o englobamento de rendimentos no IRS como forma de aliviar a carga fiscal para quem trabalha e criar mais justiça fiscal, cobrando a quem ganha rendimentos de capital.

Saudi Aramco começa este domingo o período de subscrição de ações

A maior oferta pública de venda (OPV) de ações da história começa amanhã e estará aberta até ao dia 28 de novembro para investidores privados que somente serão sauditas por decisão da empresa e até 4 de dezembro para investidores institucionais.
Comentários