Microplásticos são ameaça real, até no ar que se respira em casa

Brinquedos de plástico e até casacos de lã podem poluir as casas com minúsculas partículas de plástico. Sem que ninguém dê por isso, a não ser quando já é tarde demais. Novas investigações têm de ser levadas a cabo para os cientistas perceberem os seus efeitos na totalidade.

As investigações mais recentes mostram que muitos dos microplásticos que se encontram nos corpos das pessoas vêm do ar que se respira e não apenas da água engarrafada que se bebe ou peixe que já sai poluído dos oceanos. Devido ao seu tamanho minúsculo, os microplásticos podem ser inalados e induzir uma enorme variedade de doenças, incluindo as respiratórias, as cardiovasculares e até mesmo o cancro, revela o World Economic Forum.

Mais de 300 milhões de toneladas de plástico são produzidas todos os anos. Metade desse plástico torna-se lixo em menos de um ano: apenas 9% são reciclados e os restantes 91% entram no ar, na terra e na água como lixo. Algum desse desperdício acaba nos pulmões, ali permanecendo no tecido pulmonar ou entrando na circulação sanguínea, dado que o corpo humano não consegue livrar-se naturalmente das minúsculas particulas.

Os bebés que rastejam pelo chão são os mais vulneráveis, e logo a seguir aparecem as crianças, dado que os seus sistemas respiratórios ainda estão em desenvolvimento. Até já foram encontrados microplásticos em placentas.

As investigações permitem concluir que o microplásticos se encontram tanto no ar que circula dentro das construções, como no ar livre. No entanto, a concentração no ar interior das casas é maior do que no ar livre, segundo um estudo de 2018 da École Nationales des Ponts et Chaussées.

Os microplásticos no ar interior resultam da fragmentação através do atrito, do calor ou da luz de objetos plásticos que se encontram aos montes em todas as casas: brinquedos, móveis, sacos de plástico, cosméticos, creme dental, esfoliantes, etc., etc., etc.. Tomar banho apenas com uma esfoliação corporal pode liberar 100 mil contas de microplástico no sistema de esgoto e no ar, diz o Comité de Auditoria Ambiental na Grã-Bretanha.

A maioria dos microplásticos encontrados no ar interior dos edifícios, no entanto, vem de fibras plásticas liberadas de roupas sintéticas e têxteis usados ​​em móveis domésticos. Essas fibras de microplástico tendem a ser mais longas e portanto mais prejudiciais quando inaladas. Hoje, materiais sintéticos, como acrílico, nylon e poliéster, representam cerca de 60% da produção têxtil mundial.

Ao lavar estes têxteis, as fibras de microplástico são libertadas e acabam no efluente devido à falta de bons filtros. A lavagem de uma camisola de lã, por exemplo, liberta até 250 mil fibras de microplástico no efluente, de acordo com um estudo de 2016 da Bren School of Environmental Science & Management da Universidade da Califórnia em Santa Barbara. Infelizmente, a maioria das instalações de tratamento de águas residuais também não possui filtros para remover os microplásticos da chamada água ‘tratada’.

Os efeitos dos microplásticos que entram no sistema respiratório ainda não estão totalmente analisados, mas as investigações provam que a ameaça à saúde humana é de elevado risco. Uma vez inaladas, estas pequenas partículas entram no pulmão profundo, onde podem induzir lesões nos sistemas respiratórios. As partículas mais pequenas também podem passar para a corrente sanguínea e causar doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, induzir cancro e afetar o sistema imunitário e nervoso humano. Microplásticos encontrados no tecido pulmonar indicam que o corpo não é capaz de se livrar de todas as partículas – ou seja, que os microplásticos são bio-persistentes.

Os microplásticos aerotransportados também podem transportar outros poluentes tóxicos encontrados no ar, de bactérias para as emissões do trânsito, para a corrente sanguínea e para os pulmões.

Mais investigação são necessárias para os cientistas entenderem totalmente o impacto da poluição do ar na saúde humana. Em dezembro de 2017, as Nações Unidas assinaram uma resolução para interromper o fluxo de resíduos plásticos para os oceanos. O seu próximo e talvez maior desafio é persuadir os Estados-membros a assinarem uma nova resolução para impedir o fluxo de lixo plástico para o ar.

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