Num país com um crescimento económico “miserável”, carga fiscal elevada e pessoas pobres, Miguel Albuquerque acredita que a Madeira deve servir de exemplo para todo o País, apostando nas empresas e nos empresários, nas startups e na evolução tecnológica.
Ou seja, aquilo que tem sido seguido na Madeira, mas no contexto nacional?
Exatamente.
Partindo dessa prática tem essa ambição de passar este exemplo da Madeira para todo o país?
Eu acho que sim, mas eu não sei se as pessoas querem, porque nós com um Governo com extrema esquerda e com comunistas… Onde está um comunista não vai um tostão. Eles acham que o comunismo é ótimo, eu aconselhava esses senhores, que estão sempre a defender esses disparates a ir passar uma semana à favela de Petare, em Caracas… Então lá está o paraíso, aquilo é uma maravilha, não há comer… é o resultado do socialismo. Pobreza, miséria, falta de medicamentos, não há comida, distribuição de todas as infraestruturas produtivas… Portanto, é o paraíso. Agora, eu não quero viver nesse paraíso… Falta de liberdade… Uma maravilha. Portanto, o problema é culpar o populismo, que é muito mais fácil… o problema é o Salvini. O problema que temos aqui em Portugal é que nós temos estruturas políticas que são contra o investimento, contra a criação de riqueza, contra as condições favoráveis para garantir o crescimento económico de Portugal, e o problema também, simultaneamente, é que isso está a penalizar largamente as novas gerações. Isto é que é o problema.
Quando falou dos ataques fictícios ao populismo, está a fazer alguma crítica ao Presidente da República?
Não, é que toda a gente está preocupada com a história do populismo e o populismo surge porquê?! Porque nós neste momento estamos com um problema na Europa e em muitos países europeus que é a estagnação económica, isso é que é o problema. Quem aguenta as democracias é a classe média, não tenham dúvidas sobre isso! E o que é que acontece?! Se a economia não cresce… Não há classe média. Simples. Basta olhar para a realidade. Ninguém fala destas coisas porque ninguém quer falar, porquê!? Tivemos em Portugal uma suposta elite fantástica que conseguiu derreter mais de 11% do PIB português dentro dos Bancos. Já vão quase em 22 mil milhões de euros ou 23 mil milhões de euros.
Essa elite tem partidos?
Não, estamos a falar do problema que nós temos que é a promiscuidade de um Estado gigantesco e os setores da economia encostados ao Estado. Vamos ao norte de Portugal e temos um conjunto de empresas fantásticas, que eu conheço imensos empresários, que vivem para a exportação, e nós… Ai nós somos pequenos, somos periféricos, é sempre aquela treta, temos sempre uma desculpa. Então eu comparo com a Holanda que tem 17 ou 18 milhões de habitantes, tem o tamanho do Alentejo mais coisa menos coisa e exporta para todo o lado. É esta cultura que nós temos de introduzir em Portugal, nós temos que introduzir uma cultura de criação de riqueza, de aposta em novos empresários e no apoio às empresas, é nisso que nós temos de apostar, mais nada, o resto é conversa.
Portanto no seu entender este engordar do Estado é propositado?
Não é engordar, está toda a gente a jogar para o lado. Podemos discutir se vamos dar mais um tostão, menos um tostão. Há aqui uma constatação que é esta, se formos ver o produto per capita português constata-se que em 20 anos cresceu 2 mil euros. Portanto isso é zero. Ou seja, nós estamos estagnados economicamente. Ou seja, a riqueza dos portugueses está estagnada há mais de 20 anos e nós estamos a divergir com países que devíamos estar à frente. Ou seja, nós neste momento, possivelmente, só estamos à frente, ainda da Bulgária, e mais dois ou três países. Já fomos ultrapassados pela Letónia, pela República Checa, porquê?! Porque não se cria um investimento favorável ao investimento. Alguém vai para Portugal investir porquê?
Mas muitas vezes faz-se o discurso contrário, de que Portugal é um ótimo país para investir.
É, não é?! Quais são os últimos investimentos em milhões de dólares que houve em Portugal? Para além, obviamente do turismo que tem corrido bem, porquê?! Porque tiveram legislação liberal, e agora já querem acabar também. Dizem que é uma chatice, Lisboa está cheia de turismo… É um problema gravíssimo. Portanto, os grandes problemas que nós temos é o sucesso, sempre que nós temos sucesso temos um problema.
Nessa análise que estava a fazer sobre a nossa desconvergência…
Não é análise, é a constatação das estatísticas, isto está provado.
Leia a entrevista a Miguel Albuquerque na edição de 07 de junho de 2019 do Económico Madeira.

