Mira Amaral antevê saída da Volkswagen de Portugal

Em declarações ao jornal ‘Diário de Notícias’, Mira Amaral apela ao “bom senso” e lembra que há outras fábricas que podem tirar vantagem deste “período de greves e de irrealismo laboral”.

Joaquim Morgado/ICPT

O ex-ministro da Indústria Mira Amaral, que em 1991 assinou a vinda da Autoeuropa para Portugal, acredita que há “um forte risco” da Volkswagen sair do país, dado o braço-de-ferro entre trabalhadores e administração. Mira Amaral apela ao “bom senso” e lembra ao jornal “Diário de Notícias” que há outras fábricas que podem tirar vantagem deste “período de greves e de irrealismo laboral”.

Em declarações ao jornal, o ex-governante lembra que a Volkswagen fez um grande investimento na Autoeuropa e “não vai sair de Portugal enquanto não estiver amortizado”. No entanto, tendo em conta o período de grande instabilidade que se vive na Autoeuropa, esta está em situação de desvantagem em relação a outras fábricas “que ficariam encantadas por receber novas produções”.

“As pessoas têm de perceber que a Autoeuropa compete com outras fábricas do grupo alemão. Quando a produção deste modelo acabar ou quando for preciso produzir outro modelo, vão aparecer responsáveis de outras fábricas com argumentos que a Autoeuropa não tem depois deste período de greves e de irrealismo laboral”, afirma Mira Amaral, sugerindo que a produção pode ser deslocada para Marrocos ou para a República Checa. “Espero estar enganado”, acrescenta.

Mira Amaral diz ainda que os trabalhadores da Autoeuropa “têm, no contexto português, salários superiores a muitos colegas de outras fábricas” e face à maratona de greves e negociações entre administração e trabalhadores é preciso “bom senso”.

“A fábrica tem todas as condições para singrar. Não querem trabalhar ao sábado? Pelo amor de Deus. Temos de ser realistas”, afirma.

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