Montenegro diz que PSD “tem de mudar” e Rio prefere não comentar

“Creio que há pessoas no PSD que não se importam que o partido seja cada vez mais pequeno”, acusou ontem Montenegro, sublinhando que “este estado de coisas tem de acabar”. Rio recusou comentar e limitou-se a dizer que “o PSD não é um partido pequeno”.

As declarações de Manuela Ferreira Leite, na terça-feira à noite, serviram de pretexto para reavivar a contestação interna ao líder do PSD, Rui Rio. No programa de comentário político que protagoniza na estação TVI24, Ferreira Leite disse que considera ser preferível que o PSD tenha um “pior resultado nas eleições” do que ficar com um “rótulo de direita” que “não lhe assenta”.

Na manhã seguinte, Luís Montenegro criticou duramente essa ideia. “Eu creio que há pessoas no PSD, como fica claro com esta declaração, que não se importam que o partido seja cada vez mais pequeno, mais pequenino, pequenino mesmo. E isto não pode deixar de indignar quer os militantes, quer os dirigentes, quer os votantes do PSD”, afirmou, no decurso do programa “Almoços Grátis” da rádio TSF.

Ferreira Leite, ex-ministra das Finanças e ex-líder do PSD, estava a referir-se à convenção organizada pelo Movimento Europa e Liberdade (MEL) que se realiza entre hoje e amanhã, em Lisboa. Nessa convenção vão discursar vários críticos da atual liderança do PSD, com destaque para Pedro Duarte, Miguel Morgado, Miguel Pinto Luz, Luís Marques Mendes e o próprio Montenegro.

“Esta afirmação de Manuela Ferreira Leite, que corresponde à linha política da atual direção, não é a minha e quero dizê-lo com toda a frontalidade: estarei sempre na linha de um PSD grande e ganhador”, garantiu ontem Montenegro, concluindo com um aviso que está a ser interpretado como um putativo desafio ao líder do partido: “Muito em breve falarei sobre o estado do PSD, falarei mesmo sobre o futuro do PSD porque entendo que este estado de coisas tem de acabar e isto tem de mudar. O PSD assim não se vai conseguir afirmar”.

No final da tarde de ontem, à saída de uma reunião da Comissão Política Nacional do PSD, Rio foi questionado sobre as movimentações da oposição interna e as declarações de Montenegro em específico, tendo optado por não comentar. “Não comento porque não comento”, disse Rio, assegurando também que não foi um tema abordado na reunião da Comissão Política Nacional. Perante a insistência dos jornalistas, porém, Rio acabou por afirmar que “o PSD não é um partido pequeno”.

A pergunta sobre as movimentações da oposição interna referia-se a uma iniciativa de vários dirigentes de distritais do PSD que se reuniram na sexta-feira, dia 4 de janeiro, com o objetivo de avaliar a possibilidade de destituir a atual direção do partido. De acordo com o jornal “Público”, a “reunião secreta” serviu para planear uma tentativa de convocação de um Conselho Nacional extraordinário para derrubar Rio da liderança do PSD.

 

 

 

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