Montepio alerta que venda das ações do Banco Terra à Arise ainda aguarda por autoridades moçambicanas

“A transmissão da titularidade das respetivas ações apenas será concretizada após a conclusão de diversos passos a cumprir, quer junto de outros acionistas, quer junto das autoridades moçambicanas”, veio hoje comunicar à CMVM o Montepio Geral.

“Em complemento do comunicado emitido em 31 de agosto de 2018 sobre o acordo celebrado entre a sua participada Montepio Holding, SGPS e a holding Arise para a venda da participação de 45,78% do capital social do BTM – Banco Terra, a Caixa Económica Montepio Geral, caixa económica bancária, (CEMG) informa que a transmissão da titularidade das respetivas ações apenas será concretizada após a conclusão de diversos passos a cumprir, quer junto de outros acionistas, quer junto das autoridades moçambicanas”, veio hoje comunicar à CMVM o Montepio Geral.

“Após o cumprimento desses passos e a concretização da transmissão das ações, a CEMG prestará a devida informação sobre a transação”, refere o banco liderado por Carlos Tavares.

Recorde-se que no passado dia 31 de agosto a Montepio holding, participada da Caixa Económica Montepio Geral (CEMG), informou o mercado que acordou a venda da participação no BTM – Banco Terra, à Arise – holding criada em conjunto pelo fundo soberano norueguês Norfund, pelo banco de fomento holandês FMO e pelo Rabobank, no âmbito da redefinição estratégica das suas participações internacionais.

Com a venda de 45,78% do capital social do Banco Terra, o Grupo Caixa Económica Montepio Geral deixa de deter qualquer participação na instituição financeira de direito moçambicano e cuja posição remonta a 2012. Não foi adiantado o valor da venda.

“O negócio – que inclui uma opção para uma eventual entrada do Montepio na Arise – vem reforçar e aprofundar a parceria estabelecida entre as duas instituições, que se comprometem a estudar conjuntamente oportunidades futuras de investimento no continente africano”, lia-se na nota enviada à CMVM.

A anterior administração do banco, liderada por José Félix Morgado, tinha outros planos para a participação no banco moçambicano. A Caixa Económica previa passar a exposição a África (o que incluia os 51% do Finibanco Angola e estes 45,8% do moçambicano Banco Terra) para uma holding que resultaria de uma parceria internacional. O Montepio ficaria com 5% a 7% da holding através da entrega da posição no Finibanco Angola e do Banco Terra. Essa holding chama-se Arise e assim o banco português ficaria com uma parceria em África com os holandeses do Rabobank e do banco de fomento FMO e o fundo norueguês Norfund.

Mas com a chegada de Carlos Tavares o projeto mudou. O atual chairman e CEO da Caixa Económica Montepio Geral suspendeu as negociações que previam uma parceria do Montepio em África.

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