Moody’s: OPA da CTG pode ser positiva para o perfil de crédito da EDP

A agência da notação disse esta quarta-feira que se a OPA chinesa tiver sucesso, a EDP beneficiará de sinergias ao integrar um grupo grande e alargado, e ao ter um acionista maioritário que tem um ‘rating’ de A1. No entanto, classifica o prémio oferecido pelos chineses como “modesto”.

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A Moody’s vê vantagens para o perfil de crédito da EDP no caso de a Oferta Pública de Aquisição (OPA) da China Three Gorges (CTG) à empresa portuguesa ser bem sucedida, mas a agência sublinha que esse sucesso não está garantido pois o prémio oferecido na oferta é “modesto”.

“Se tiver sucesso, a oferta da CTG poderá ser positiva para a EDP devido às sinergias operacionais e financeiras de ser parte de um grupo grande e diversificado na energia renovável, e a qualquer apoios que poder advir de ter um acionista maioritário com uma notação de A1”, refere a Moody’s.

Como pontos positivos, a agência refere que o grupo CTG indicou pretender manter uma relação com a EDP semelhante à que tem desde que, em 2012, se tornou o maior acionista da elétrica, com 23,27% do capital social. O consórcio deverá manter a sede da elétrica em Lisboa, bem como a autonomia, identidade e lugar na Bolsa de Lisboa. Da mesma forma, será benéfico o objetivo de fazer da EDP um ativo estratégico e líder de operação na Europa, Américas e países de língua portuguesa.

Lembrou ainda que a CTG afirmou estar a considerar passar alguns ativos para a EDP, por forma não só a aumentar a eficiência da gestão de portefólio, mas também diminuir o rácio de alavancagem da elétrica e cortar custos.

“No entanto, há alguma incerteza que a oferta, que foi anunciada com um prémio modesto face ao preço de mercado, tenha sucesso”, alerta a Moody’s, sublinhando que a possível aquisição ainda está em fase preliminar e o prospeto só deverá ser enviado para a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) no final do mês.

Acrescenta que, mesmo que a aquisição seja concluída, o impacto positivo irá ainda depender de uma série de fatores, incluindo a estratégia de negócio da EDP e a estrutura financeira após a transação, mas também o perfil de alavancagem do grupo CTG e eventual dimensão do shareholding do consórcio chinês. Ainda assim, a agência não antecipa que um aumento da participação da CTG na EDP possa ser negativa em termos de crédito.

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