Moody’s: Os lucros dos bancos europeus ficarão atrás dos pares norte-americanos enquanto aumentam as taxas de juro

Para os bancos europeus, a duração dos empréstimos é geralmente mais longa do que para os bancos de outras regiões e levará mais tempo, por isso, a reciclar as atuais taxas de juro baixas para taxas de juros mais altas.

A Moody’s publicou hoje dois relatórios sobre os bancos mundiais. O primeiro fala do impacto do aumento das taxas de juro sobre os lucros. O segundo fala da perspetiva em 2019 para os bancos a nível mundial.

No que se refere ao primeiro estudo a agência conclui que “os bancos europeus não beneficiarão tão rapidamente quanto seus pares doutros países desenvolvidos da tendência de aumento global das taxas de juros”, refere o relatório Moody’s Investors Service publicado hoje.

Nos EUA, a rentabilidade dos bancos (refletida nos lucros) continuará a superar os pares globais, mas o efeito positivo do aumento das taxas de juros diminuirá.

O relatório, “Banking – Global: os lucros dos bancos europeus continuarão a ficar aquém dos pares globais, apesar das taxas de juros mais altas”, resulta de um estudo dos mercados bancários e não constitui uma ação de rating, salvaguarda a Moody´s.

Para os bancos europeus, a duração dos empréstimos é geralmente mais longa do que para os bancos de outras regiões e levará mais tempo, por isso, a reciclar as atuais taxas de juro baixas para taxas de juros mais altas.

O Banco Central Europeu já confirmou que o seu programa de compra de ativos vai terminar no fim do ano, desde que a situação económica não se deteriore, e provavelmente começará a aumentar suas taxas de juros “ultra baixas” no terceiro trimestre de 2019.

“O ritmo mais lento do aumento das taxas de juro e o maior recurso ao mercado para os bancos se financiarem irá conter os ganhos de rentabilidade para os bancos na Europa Continental”, disse Armen Dallakyan, vice-presidente e analista sénior da Moody’s.

As taxas de juros dos créditos em bancos do Canadá e do Reino Unido serão mais rapidamente revistas em alta do que as taxas de juros dos empréstimos concedidos por bancos de outras economias avançadas, pois as maturidades dos seus créditos são no geral mais curtas, proporcionando um aumento mais rápido dos lucros, salienta a agência de rating.

Além disso, a maior dependência do financiamento baseado em depósitos nesses dois países impedirá que os custos de financiamento dos bancos subam tão rápido quanto os rendimentos dos empréstimos, ampliando suas margens financeiras líquidas.

Nos EUA, a rentabilidade mais forte dos bancos versus os seus pares globais está a ser suportada, entre outras coisas, pelo aumento das taxas de juros dos EUA que começou no final de 2015.

Nos maiores bancos, apenas cerca de 20% do aumento das taxas foi repassado aos depositantes na forma de taxas mais altas. Isso impulsionou a margem financeira líquida média dos maiores bancos regionais dos EUA.

Mas a Moody´s antevê que uma maior percentagem de aumentos futuros nas taxas de juros da Fed seja repassado para os depositantes, já que os bancos irão competir de forma mais agressiva para manter os depósitos, e como tal, a margem financeira tenderá a cair e afectar a receita dos bancos.

O segundo relatório da Moody´s refere que a credibilidade dos bancos permanecerá estável em todo o mundo ao longo de 2019, no meio de um contexto de crescimento económico sólido, embora em declínio.

“O sólido, porém desacelerado, crescimento econômico global continuará a apoiar a qualidade de crédito dos bancos em 2019”, refere a agência.

Os riscos geopolíticos e domésticos representam a maior fonte de incerteza e risco, diz a Moody´s.

Ler mais
Recomendadas

Máximo dos Santos defende papel do BdP na aplicação das medidas de resolução aos bancos pequenos

O Banco de Portugal organizou ontem de manhã, em Lisboa, um evento dedicado ao planeamento de resolução de instituições classificadas de menos significativas e das instituições que não estão abrangidas pelo âmbito do Mecanismo Único de Resolução. Juntou 28 instituições de crédito e empresas de investimento e a APB.

António de Sousa passa avaliação de idoneidade

Ex-presidente da Caixa, atualmente gestor do fundo ECS, passou no exame de idoneidade do supervisor a antigos administradores do banco público que continuam ligados ao setor financeiro.

FMI recomenda que Parlamento dê ouvidos aos supervisores na reforma da supervisão financeira

“Os três supervisores setoriais nacionais levantaram preocupações legítimas em relação ao projeto de lei e que merecem uma ponderação cuidadosa no Parlamento antes que este projeto de lei seja aprovado e convertido em lei”, lê-se no comunicado da equipa técnica do FMI que esteve em visita a Portugal.
Comentários