Moscovici: “Países onde existe populismo deveriam olhar para a recuperação de Portugal”

O comissário europeu para os assuntos económicos e financeiros considera que a crise económica deixou cicatrizes e, seguiu-se de uma crise política, à qual Portugal se tem mantido alheio.

REUTERS/Heinz-Peter Bader/File Photo

O comissário europeu para os assuntos económicos e financeiros, Pierre Moscovici, defendeu esta quinta-feira que a União Europeia (UE) os movimentos populistas e o nacionalistas olham para a Europa como um “bode expiatório”. Pierre Moscovici considera que a crise económica deixou cicatrizes e, seguiu-se de uma crise política, à qual Portugal se tem mantido alheio.

“Portugal sofreu uma crise bastante profunda, teve um programa muito difícil e doloroso. Hoje tem resultados económicos espetaculares entre os mais fortes da UE, com um défice abaixo de 1% do PIB, uma taxa de desemprego de 6,7%”, afirmou Pierre Moscovici, no debate “Que futuro para a Europa?”, no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).

O comissário europeu sublinhou que Portugal conseguiu isso “mantendo os valores europeus e sendo, ao mesmo tempo, rigoroso do ponto de vista financeiro, sem pôr em causa uma perspetiva de crescimento económico”. “Outros países, onde existe nacionalismo e populismo como forma de contestação social e que olham para a Europa como um bode expiatório, deveriam olhar para a recuperação de Portugal”, defendeu.

“Não estou sossegado quando vejo o estado da Europa. Estamos a cinco meses das eleições e vemos o surgimento de movimentos populistas e nacionalistas que constituem um desafio político depois do desafio económico pelo qual passamos. Querem destruir a Europa e a democracia liberal e propõem um movimento alternativo ao Estado de Direito. No mundo há potências que se estão a afirmar contra estes ideais e se a Europa não conseguir luta vamos perder esta batalha”, alertou o comissário europeu.

Pierre Moscovici defendeu que este combate é fundamental para a Europa para que esta possa manter a sua soberania. “A crise económica deixou cicatrizes e agora temos uma crise política, que se vê em França, com os coletes amarelos. Há um movimento em França periférica que é preciso ouvir e compreender e este movimento e a resposta passa pelo combate às desigualdades. Aí é que se chega à reforma financeira com o orçament0 da zona euro”, concluiu.

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