Mulheres cabo-verdianas estão a ter menos filhos

A conclusão é do III Inquérito Demográfico e de Saúde Reprodutiva, que revelou também que a mortalidade infantil diminuiu para 18%.

Os dados do III Inquérito Demográfico e de Saúde Reprodutiva (IDSR) de Cabo Verde, divulgados esta segunda-feira, apontam que, entre 2005 e 2018, as mulheres cabo-verdianas passaram de uma média de 2,8 filhos para 2,5 filhos.

O relatório concluiu também que a maioria das cidadãs do sexo feminino (97%) deste país africano procuram as estruturas de saúde para ‘darem à luz’ e que a mortalidade das crianças com menos de cinco anos diminuiu de 33 para 18‰ neste período, enquanto a taxa de vacinação aumentou consideravelmente. Já a prevalência do VIH passou de 0,8% para 0,6%.

Os resultados do ISDR-III foram apresentados pelo coordenador técnico do Instituto Nacional da Estatística, (INE) Orlando Monteiro, numa cerimónia que contou com a presença do ministro da Saúde, Arlindo do Rosário, e da coordenadora residente das Nações Unidas em Cabo Verde, Ana Graça.

Conforme explicou Orlando Monteiro, a informação que merece atenção das autoridades é a da diminuição da fecundidade, uma vez que o número médio de bebés por mulheres entre os 15 e os 49 anos passou de 2,9 em 2005 para 2,5 no ano passado. “Estes dados traduzem os programas que o país tem implementado para a prevenção de uma fecundidade elevada que existia. Por outro lado, pode traduzir-se em preocupação, pois, com estes dados estamos a aproximar do limiar de substituição que é de 2,1%”, alertou.

O mesmo responsável disse que, neste caso, é preciso que o governo cabo-verdiano analise os números para saber se deve ou não rever a política nacional de população, de maneira a que o país não venha a ter, no futuro, escassez de mão-de-obra devido à baixa fecundação, sublinhou. De acordo com o ISDR-III, a diminuição da fecundidade é mais acentuada no meio rural, com uma baixa de 16% em relação ao meio urbano, que teve uma baixa de 11%.

“Não poderemos promover muito a diminuição de número de filhos por mulheres”

Incitado a comentar estes dados, Artur Correia disse: “Temos de dosear bem até onde queremos ir, não poderemos promover a diminuição de número de filhos por mulheres muito, para não chegarmos a situação idênticas a que países como Portugal e outros, em que a taxa de fecundidade reduziu bastante e estão com problema de reposição da população.”

Este terceiro inquérito demográfico revelou que a taxa de prevalência do VIH [vírus da imunodeficiência humana] passou de 0,8% em 2005 para 0,6% em 2018. Porém, houve uma ressalva que o país já esperava: aumentou a taxa de prevalência da doença entre as mulheres.

Em 2005, Artur Correia disse que Cabo Verde aparecia como “um caso à parte” em África, visto que a prevalência da SIDA era maior nos homens, mas salientou que era previsível que a feminização da infeção, que acontece a nível mundial, aconteceria também em Cabo Verde. “Não é com surpresa que constatamos que essa tendência de feminização da epidemia também está a acontecer em Cabo Verde”, disse Artur Correia, que ainda acrescenta que a que a diminuição da prevalência da SIDA é “um grande ganho para Cabo Verde”, que permite ao país caminhar “com segurança” para a estratégia da eliminação da transmissão de mãe para filho no horizonte de 2020.

No IDSR-2018 foi testado também o nível de hemoglobina das crianças de 6-59 meses, para determinar a prevalência da anemia e os resultados indicaram que 43% das crianças de 6-59 meses são anémicas enquanto em 2005 era de 55%, o que traduz uma baixa à volta de 18 pontos percentuais, frisaram os porta-vozes. Olhando a fundo para a doença, a anemia leve representou 48% da anemia geral em 2005 e 53% em 2018, a anemia moderada representou 49% da anemia geral em 2005 e 45% em 2018 e a anemia grave é relativamente baixa com resultados de 1,7% em 2005 e 0,5% em 2018.

No que concerne à mortalidade infantil, os dados do IDSR-III indicam resultados “excelentes”, segundo o diretor-geral da Saúde. Em termos de redução da mortalidade, que passou das crianças de menos de um ano de 30 em 2005 para 16% em 2018. A mortalidade juvenil (das crianças de um à quatro anos) não mudou entre os dois inquéritos (3%), enquanto a mortalidade infanto-juvenil (das crianças de menos de cinco anos) passou de 33% em 2005 para 18% em 2018, ou seja houve uma baixa de 45%.

No que tange a cobertura de vacinamento, resultados preliminares do IDSR-2018, aponta para um aumento da taxa de cobertura vacinal entre 2005 e 2018 com resultados de 74% em 2005 para 83% em 2018. O inquérito revelou que a quase totalidade das mulheres cabo-verdianas (97%) tiveram os seus filhos assistidos por um profissional de saúde no período em análise e que quase todos esses nascimentos ocorreram nas estruturas de saúde, contra 78% em 2005.

Em 2018, a esmagadora maioria das mulheres (87%) recebeu cuidados pós-natais nos dois dias que seguiram o nascimento, contra 65% em 2005. Para Artur Correia, estes dados demonstram que o país está praticamente a erradicar os partos fora das estruturas de saúde e os não assistidos pelos profissionais de saúde.

A recolha de dados para o inquérito foi feita por 18 equipas nos 283 distritos de recenseamento do país, tendo sido entrevistados 6.741 agregados familiares com uma taxa de respostas a nível nacional de 98% entre as mulheres dos 15 aos 49 anos.

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