Mundial, dia 14: O futebol são 11 de cada lado e no final até a Alemanha pode perder

Tirando Kroos e o desgastado Thomas Müller, do meio-campo para a frente acabaram as referências com a reforma de Lahm e Schweinsteiger. Ou seja, está na hora de mexer com profundidade no quadro habitual de jogadores. Talvez, até, de debater Löw

Teoricamente, a Alemanha tinha um jogo simples pela frente. Bastava-lhe uma vitória, face à já eliminada Coreia do Sul, para continuar a lutar pela revalidação do título mundial que ostenta. Pelas alterações que mais uma vez introduziu na equipa, talvez até Joachim Löw tenha acreditado nisso. Não me parece que seja homem para ter perdido um segundo a pensar na casualidade, lembrada até ao enjoo por jornalistas do mundo inteiro, dos dois campeões anteriores não terem conseguido passar a fase de grupos na prova imediatamente seguinte – a Itália, na África do Sul’2010 e a Espanha, no Brasil’2014.

Sobretudo depois da forma como Kroos levara a equipa a vergar a Suécia nos últimos segundos do jogo anterior, recuperando do susto (e derrota) inaugural face ao México, parecia mais inevitável que nunca a ‘sentença’ de Gary Lineker: “O futebol são onze contra onze e no final ganha a Alemanha”.

Pois já não é bem assim.

O Mundial acaba de registar uma das maiores surpresas de sempre, talvez ao nível da final perdida pelo Brasil, a jogar em casa, para o Uruguai, em 1950.

A última vez em que a Alemanha tinha sido derrotada de uma forma tão inesperada fora na ‘banheira’ de Roterdão, corria o verão de 2000 e eu assisti ao vivo. A seleção portuguesa já tinha a qualificação garantida e Humberto Coelho, então treinador, fez descansar os titulares. Figo, Rui Costa, João V. Pinto, Vítor Baía, os líderes da altura, ficaram no banco. Humberto dispôs sobre o terreno um esquema raro no futebol da seleção, com três centrais. Colocou ainda um desconhecido chamado Pedro Espinha na baliza. Na ala direita, fazendo o corredor todo, estava Sérgio Conceição. As pessoas que acompanham o futebol sabem o que aconteceu. Portugal ganhou 3-0 à Alemanha, todos os golos apontados pelo atual treinador do FC Porto.

O que muitos não se lembrarão é que do outro lado estavam jogadores como Matthäus, Ballack, Oliver Kahn, Nowotny, Hässler… Para muitos desses 23 foi o fim da carreira na seleção. Começou aí uma renovação que levaria rapidamente a Alemanha à final perdida do Mundial 2002, com o Brasil (dos três ‘R’s’ – Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo), e daí, evoluindo sempre sem dramas, vendo partidas e chegadas de jogadores em função da idade, caminhou até esta surpreendente eliminação decretada pela equipa ‘número 46’ do ‘ranking’ da FIFA, a Coreia do Sul.

Esta derrota é tão inesperada e pesada que dificilmente a seleção germânica escapará de novo a algumas mudanças, porque é nestas alturas que os fantasmas costumam aparecer à luz do dia.

De repente, há gente que se questiona como Manuel Neuer, que passou grande parte da época lesionado, foi diretamente para a baliza, passando Ter Stegan que fez uma boa época em Barcelona. Acima de tudo, como foi possível prescindir de Sané, titular para Guardiola no City, quando alguns jogadores convocados até nem estavam na melhor forma, a começar por Ozil e Khedira, que já não são propriamente os jogadores que um dia o Real Madrid requisitou. Tirando Kroos e o desgastado Thomas Müller, do meio-campo para a frente acabaram as referências com a reforma de Lahm e Schweinsteiger. Ou seja, está na hora de mexer com profundidade no quadro habitual de jogadores. Talvez, até, de debater Löw, apesar do presidente da federação, horas antes do fatídico jogo, ter dito que o treinador iria continuar independentemente do que acontecesse.

O futebol alemão foi à Rússia para tentar empatar com o Brasil no número de títulos mundiais (5), aproveitando a ausência do outro tetra, a Itália, e regressa com uma surpreendente e original eliminação precoce. É duro. E foi relativamente injusto face ao jogo. A Alemanha fez o suficiente para ganhar. Os dois golos nos descontos, quando foi tempo do tudo ou nada, acabam por ser um castigo demasiado duro.

Hoje, como a crónica é curta, só há espaço para apenas mais umas breves notas: grande exibição do guarda-redes coreano Jo Hyeonwoo, intransponível; Augustinsson jogou de forma soberba e marcou o primeiro golo da clara vitória (3-0) da Suécia sobre o México, que correu riscos apesar dos seis pontos que tinha; o Brasil está sólido com Coutinho & Neymar à frente de uma companhia de combate; a Suíça, como se previa, segue em frente, mesmo empatando com a Costa Rica (2-2), uma qualificação merecida; e nas casas de apostas, que ontem devem ter lucrado bastante com a Coreia, a Espanha, porque está no lado ‘mais fácil’ do quadro, já é a equipa cuja vitória paga menos.

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