“Não é o momento para a China entrar em confronto com os EUA”

O gestor especializado na China diz que o gigante asiático tem de ser auto-suficiente em termos económicos e tecnológicos para depender menos do comércio com os EUA.

O que espera do crescimento económico da China em 2018?

O ano passado foi muito mais forte do que o esperado (quase 7%), o que foi uma agradável surpresa. Este ano, esperamos moderação porque, em 2017, parte do crescimento foi impulsionado por um comércio externo muito forte e pela subida dos preços das matérias-primas. Este ano, não esperamos que o setor externo tenha um desempenho tão positivo. Talvez o crescimento do PIB fique mais próximo de 6,5%. Depois, temos a disputa comercial EUA-China, que vai prejudicar o comércio externo e provavelmente não ajudará ao crescimento do PIB.

A China recusou o pedido dos EUA para reduzir o excedente comercial até 2020. E agora?

É um processo de negociação. Provavelmente, a China vai acabar por concordar com algumas das exigências dos EUA e – a fim de reduzir parte do superávit comercial – a China terá de começar a comprar mais aos EUA em áreas que já estava interessada, como a indústria aeroespacial. Qualquer coisa que os EUA estejam dispostos a vender… Fico feliz em ver que a China se comprometeu a proteger a propriedade da Internet porque isso definitivamente prejudicaria algumas empresas chinesas, mas esse é o caminho a percorrer se quiser desenvolver a sua própria tecnologia. Penso que o caminho a seguir é esse. Talvez não agora, mas a longo prazo.

Artigo publicado na edição semanal do Jornal Económico. Para ler a versão completa, aceda aqui ao JE Leitor.