“Não há irregularidades nem desvio de verbas”, garante presidente da Câmara de Pedrógão Grande

O Jornal Económico sabe que a Judiciária está a fazer buscas “cirúrgicas” com vista à recolha de prova documental no âmbito da investigação às irregularidades na reconstrução de casas afetadas pelo incêndio de junho de 2017. Autarca de Pedrógão Grande nega tudo.

Miguel Vidal/Reuters

O presidente da Câmara Municipal de Pedrógão Grande garantiu que “para mim não há irregularidades, desvio de verbas não pode haver” no dia em que foram efetuadas buscas na autarquia por parte da Polícia Judiciária por suspeitas de desvio de verbas na reconstrução de casas após os incêndios de junho do ano passado.

A Polícia Judiciária (PJ), acompanhada do Ministério Público, esteve, na manhã desta quarta-feira, 12 de setembro, a fazer buscas nas instalações da Câmara de Pedrógão Grande e na Casa Municipal da Cultura de Pedrógão Grande. O Jornal Económico sabe que a Judiciária está a fazer buscas “cirúrgicas” com vista à recolha de prova documental no âmbito da investigação às irregularidades na reconstrução de casas afetadas pelo incêndio de junho de 2017. E que até à sua análise não deverão ser constituídos arguidos neste inquérito que investiga suspeitas de desvio meio milhão de euros de fundos destinados à reconstrução de casas de primeira habitação para habitações não prioritárias, isto é, casas de segunda habitação.

O Jornal Económico apurou que para a recolha desta prova documental  visa apurar quantas casas  foram reconstruídas com base na eventual  utilização indevida de fundos destinados à reconstrução de casas de primeira habitação, que arderam no grande incêndio de Pedrógão, em Junho do ano passado. Para o efeito, os inspectores da PJ  estiveram nas instalações da autarquia e foram, posteriormente, para a Casa da Cultura, onde funciona o gabinete que trata da reconstrução das casas afetadas pelos incêndios de junho de 2017.

A 30 de agosto, a presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), Ana Abrunhosa, revelou que já foram remetidos ao Ministério Público 21 processos no âmbito de alegadas irregularidades na reconstrução de habitações. Uma revelação que surgiu depois de a revista Visão ter noticiado que meio milhão de euros de donativos destinados à reconstrução de casas de primeira habitação terão sido desviados para casas de segunda habitação através de mudanças do domicílio fiscal para conseguir o dinheiro.

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