Navigator, CTT e declarações do BCE justificam queda na Bolsa

A Navigator que apresentou ontem uma quebra de 20% dos lucros para 94,9 milhões fechou a perder 1,1% em bolsa. O PSI 20 caiu 0,43% para 5.180,8 pontos e acompanhou a performance das bolsas europeias. A evolução da sessão esteve inteiramente relacionada com a reunião do BCE.

A Navigator apresentou ontem um resultado líquido semestral de 94,9 milhões, que traduz uma queda de 20,5% face ao período homólogo do ano anterior e hoje as ações fecharam a cair na bolsa 1,1% para 3,24 euros.

Os investidores reagiram negativamente aos resultados da Navigator. O lucro do segundo trimestre ascendeu aos 45,6 milhões (-31% face ao mesmo período de 2018) e o EBITDA aos 102 milhões (-11.30%). A empresa reconheceu “desafios apresentados pelas condições de mercado do setor de pasta e papel, em particular pela queda dos preços de pasta”.

Para além da Navigator, as maior perdas estiveram com os CTT, que apresentam resultados semestrais após o fecho do mercado. Os investidores penalizaram o título que fechou em queda de -1,27% para 2,03  euros.

A bolsa nacional fechou com perdas ligeiras, num dia totalmente dominado pela reunião do BCE. O Banco Central Europeu manteve esta quinta-feira, 25 de julho, as taxas de juro diretoras inalteradas, que assim deverão ficar até ao fim do primeiro semestre de 2020. Apesar de não mexer nos juros Draghi preparou os mercados para a reunião de setembro com uma atualização face ao que dizia anteriormente. Agora admite que os juros vão ficar no mesmo nível ou “em níveis mais baixos” até ao final do primeiro semestre de 2020, o que é uma mudança face ao que dizia anteriormente quando admitia apenas que os juros iam ficar no mesmo nível até ao final do primeiro semestre de 2020.

“Entre as maiores capitalizações, os CTT, a Sonae (-1,42% para 0,866 euros), a Jerónimo Martins (-0,61% para 14,745 euros) e a EDP Renováveis (-0,54% para 9,25 euros) foram os mais atingidos”, explica o BPI na sua análise de bolsa.

A EDP fechou também a cair 0,15% para 3,365 euros.

Destaque ainda para a queda de 1,22% da Ibersol.

“O BCP negociou de forma bastante volátil. Antes da reunião do BCE, o título chegou a acumular perdas superiores a 1% e durante a primeira parte da intervenção de Mario Draghi, a ação alcançou um ganho de cerca de 1%”, diz o analista. As ações do BCP fecharam a cair -0,04% para 0,2644 euros. “Quando acenou à possibilidade de uma redução das taxas de juro, o Presidente do BCE mencionou que seria acompanhada por medidas para mitigar os efeitos negativos na rentabilidade dos bancos europeus”, contextualiza o BPI.

Pela positiva e em termos relativos, destacaram-se a Galp (+0,07% para 14,185 euros) e a Sonae Capital (+0,14%). Mas também a Pharol (+0,52%) e a F Ramada (+1,75%).

A fragilidade das ações da Navigator contagiaram as da concorrente Altri que fechou a perder -0,73% para 6,130 euros.

O BCE também afectou os mercados europeus que fecharam o dia com perdas expressivas. “Apesar da primeira reação positiva ao comunicado do BCE, que parece antecipar uma descida dos juros na próxima reunião, o discurso do Presidente do Banco Central acabou por arrastar as bolsas, sugerindo que alguns membros do conselho têm dúvidas sobre os moldes do possível pacote de estímulos. Mario Draghi disse que o conselho quer esperar pelas novas projeções económicas antes de atuar. A próxima reunião do BCE está marcada para o dia 12 de setembro”, explica o analista da Mtrader, do grupo Millennium BCP; Ramiro Loureiro.

Na Europa o EuroStoxx50 fechou nos 3.510 pontos (-0,64%). Já nas principais praças o encarnado dominou.  O FTSE caiu 0,17% para 7.489 pontos; o CAC desceu -0,50% para 5.578 pontos; o alemão Dax fechou nos 12.362,1 pontos (-1,28%); o FTSE MIB de Milão deslizou 0,80% para 21.903,3 pontos e o Ibex caiu 0,43% para 9.289 pontos.

“De facto, até à realização da reunião do BCE , os índices europeus negociaram com variações muito contidas, que espelhavam a expetativa em relação à reunião.  Numa fase inicial, os investidores reagiram positivamente às palavras de Mario Draghi, conduzindo os principais índices a valorizações de cerca de 1%”, dizem os analistas do BPI.

“No entanto, o entusiasmo inicial esmoreceu quando Mario Draghi admitiu que uma descida das taxas diretoras não tinha sido discutida e que aparentemente não existe uma unanimidade no seio do Banco Central. Adicionalmente, o Presidente do BCE não respondeu às questões sobre os moldes e os timings das hipotéticas medidas”, refere o analista do BPI na sua análise ao fecho dos mercados.

“As expetativas dos investidores acabaram por não ser correspondidas originando uma venda acelerada de ativos de risco, que acabou por determinar a tendência do dia”, adianta na mesma nota.

Para segundo plano foram relegados os bons resultados da Volkswagen, da espanhola Telefónica, da Astrazeneca e da Roche.

O grupo alemão Volkswagen obteve no primeiro semestre um benefício líquido atribuído de 6.875 milhões de euros, 6,6% mais do que no ano passado. As ações ainda assim caíram 2,87%.

Os juros da Alemanha a 10 anos estão a subir para -0,363% depois do Ifo Business Climate Index ter caído em julho, de 97,5 (valor revisto devido ao ajuste sazonal) para 95,7 pontos. As empresas estão menos satisfeitas com o ambiente atual de negócios e também estão a olhar para o futuro com mais ceticismo. “A economia alemã está a navegar em águas turbulentas”, disse o instituto.

Portugal tem os juros também a agravarem (+0,90 pontos base para 0,426%), tal como Espanha (+1 ponto base para 0,357%) e Itália que vê os juros subirem 2,7 pontos base para 1,517%.

O petróleo está em alta. O Brent em Londres sobe 0,51% para 63,5 dólares o barril e o WTI nos EUA está a subir 0,54% para 56,18 dólares.

O euro avança 0,09% para 1,115 dólares.

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