Negociações com Aethel sobre Novo Banco não avançam enquanto Lone Star estiver em jogo

O Banco de Portugal vai continuar as negociações exclusivas com o Lone Star e a proposta da Aethel apenas será tida em consideração se o atual processo negocial falhar.

O Governo e o Banco de Portugal (BdP) ainda não deram resposta à carta que receberam do fundo Aethel Partners na sexta-feira, onde este fundo de investimento se propõe a comprar o Novo Banco. As negociações exclusivas com o Lone Star não serão interrompidas e o Aethel só será eventualmente chamado à mesa negocial se aquelas fracassarem.

Para já, a resposta deverá ser no sentido de tentar compreender os contornos do interesse da Aethel Partners, dado que a carta enviada pelo fundo ao Ministério das Finanças, com conhecimento do BdP, é uma manifestação de interesse e não uma proposta formal.

Tal como o “Jornal de Negócios” avançou na segunda-feira, o fundo de investimento liderado pelo gestor português Ricardo Santos Silva propõe-se a pagar 2,8 mil milhões de euros pelo Novo Banco e a capitalizar a instituição em mil milhões de euros. Segundo o site “Eco”, esta proposta estará condicionada a que sejam pagas indemnizações de valor equivalente a vários investidores lesados pela resolução do BES, como o Fundo Elliot, o New Zealand Superannuation Fund e o Silver Point, mas não foi possível confirmar esta informação, que não é referida na carta enviada pela Aethel Partners.

A manifestação de interesse do Aethel tem lugar numa altura em que o Banco de Portugal está já em negociações exclusivas com o fundo americano Lone Star. Segundo fontes ligadas ao processo, o Governo e o Banco de Portugal não podem ignorar o interesse da Aethel, mas também não podem permitir que entre no atual processo negocial sem estar em consórcio com um dos cinco interessados que foram selecionados para negociar a compra do Novo Banco (além do Lone Star, a Apollo, o grupo chinês Minsheng, o BPI e o Santander).

A Lone Star, que numa primeira fase ofereceu 750 milhões de euros pelo Novo Banco, está agora a negociar a compra da instituição por um valor que será quase simbólico, em troca de deixar cair a exigência de uma garantia estatal no valor de 2,5 mil milhões de euros, para a proteger do risco dos ativos do chamado ‘side bank’. Se a venda à Lone Star ocorrer nestes moldes, o Fundo de Resolução terá de suportar um prejuízo elevado (dado que injetou 4,9 mil milhões de euros no Novo Banco, em 2014), que será coberto pelas contribuições dos bancos que serão pagas ao fundo ao longo de várias décadas.

Não foi possivel obter esclarecimentos de fontes oficiais do Governo, Banco de Portugal e Aethel Partners.

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