Negrão diz que país foi governado por “impulso de sobrevivência” da Geringonça

No debate do Estado da Nação, o líder da bancada do PSD, Fernando Negrão, defendeu que a “narrativa” do Governo de que o país está melhor é “desmentida pela realidade de todos os dias”.

O presidente do grupo parlamentar do PSD, Fernando Negrão, afirmou esta quarta-feira que, nos últimos quatro anos de legislatura, o país foi governado por “impulso de sobrevivência” para evitar o “naufrágio” da Geringonça. No debate do Estado da Nação, Fernando Negrão defendeu que a “narrativa” do Governo de que o país está melhor é “desmentida pela realidade de todos os dias”.

“Fomos governados durante quatro anos por um impulso de sobrevivência para evitar o naufrágio das forças políticas que o constituem. Andámos sempre ao sabor do vento político, da pequena conjuntura e dos acordos pontuais. Andámos ao sabor de tudo, mas nunca andámos numa rota de uma política substancial, pensada e executada no sentido de uma melhoria do país”, afirmou Fernando Negrão.

O líder da bancada social-democrata defendeu que, em quatro anos, “não houve uma única reforma digna desse nome” e sublinhou que, “em 2018, 20 países cresceram mais do que Portugal”. “Se é assim numa conjuntura boa, o que será numa má conjuntura”, questionou, sublinhando que “pela sobrevivência da Geringonça, tudo foi suportável”.

Na sua intervenção parlamentar, Fernando Negrão falou de alguns dos “episódios mais negros” que marcaram a governação de António Costa, como o caso de Tancos, os incêndios de 2017 e o mais recente caso da teia de relações familiares no Governo. “O sentimento de impunidade deste Governo ficou sobretudo exposto no caso conhecido como Familygate”, afirmou, notando que o caso “embaraçou” o presidente da República, numa reunião do Conselho da Europa, e foi “alvo de estudo internacional”.

“A tentativa de encantar é desmentida pela realidade de todos os dias”, referiu ainda Fernando Negrão, falando da degradação dos serviços públicos e da tentativa do primeiro-ministro de “vergar a realidade”. “No final da legislatura, podemos dizer que nenhum dos grandes objetivos proclamados pelo Governo foi cumprido e até a prometida recuperação de rendimentos foi engolida por impostos, taxas e taxinhas. Para dar a alguns, o Governo tirou a todos”, sublinhou.

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