Noruega fecha as portas da EFTA ao Reino Unido

Aquela que parecia uma espécie de transferência milionária – a saída do Reino Unido da União Europeia e a entrada na EFTA – pode não ser tão fácil como Theresa May pretende desde há uns meses.

Theresa May

O Norway Plus, o plano para o Reino Unido sair da União Europeia e de seguida juntar-se à Noruega numa área de livre comércio dentro do mercado único da União Europeia (UE), foi rejeitado por influentes políticos e grandes empresas norueguesas. O Reino Unido precisaria da permissão da Noruega para se juntar àquele clube, a EFTA e a primeira-ministra Theresa May não tem escondido que essa nova associação a um clube ‘paralelo’ à UE podia ser do interesse de todos.

Mau voltou a falar disso há pouco mais de duas semanas, para evidenciar que, mesmo com uma saída sem acordo, o Reino Unido não ficaria isolado na Europa. May chegou mesmo a viajar para Oslo, capital da Noruega, há uns meses, para estreitar ligações com o país e propor uma ‘nova aliança’ entre o Reino Unido e os países escandinavos – uma espécie de União do Norte só para ricos.

Na altura, os planos pareciam estar a correr bem, mas qualquer coisa mudou em determinada altura do processo. Segundo avança o jornal ‘The Guardian’, a rejeição é um golpe para um influente grupo partidário liderado pelo deputado conservador Nick Boles, com apoio do gabinete privado que está à procura de um ‘Plano B’ se, como esperado, o acordo de Brexit de Theresa May for rejeitado pelos parlamentares na próxima terça-feira.

Mas no Reino Unido há muitos políticos que considera o Norway Plus uma má ideia – sendo que este grupo é normalmente o mesmo que não quer ver o país sair da União e pelo menos não quer sair sem acordo. David Miliband, ex-secretário trabalhista e um ativo defensor da repetição do referendo, e Jo Johnson, o ex-ministro conservador do Ensino, assumiruam que o plano de união com a Noruega é uma má ideia.

O plano foi rejeitado por Heidi Nordby Lunde, parlamentar do partido conservador da Noruega, que disse que as suas opiniões refletem as do partido do governo, embora a primeira-ministra norueguesa, Erna Solberg, tenha sido mais diplomática ao dizer que o país examinaria uma solicitação no Reino Unido e, na altura da referida visita de May, ter dado claras esperanças no apoio ao plano.

Lunde disse ao jornal britânico que “a opção norueguesa não é uma opção e temos dito isso há mais de um ano e meio, desde o referendo, por isso estou surpreendido que depois de todos esses anos o plano ainda faça parte do debate no Reino Unido.”

O que o conservador norueguês quis dizer foi que há uma espécie de incompatibilidade entre a saída da EU e a entrada na EFTA – como se os vazos comunicantes entre as duas organizações começassem a ficar bloqueados se uma delas aceitasse no seu seio um membro que acaba de sair da outra.

No mesmo sentido que Lunde, Ole Erik Almlid, da Confederação das Associações Empresariais de Empresas Norueguesas, que também questionou se o Reino Unido estaria disposto a ir do criador de regras para o cumpridor de regras. E alertou para que a Noruega e as suas empresas iriam sofrer por causa dos acordos da EFTA com a União, que provavelmente seriam suspensos se o Reino Unido transitasse de um para o outro.

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