NOS e Mota-Engil ‘afundam’ PSI 20, que cai em linha com a maioria das praças da Europa

A Mota-Engil caiu 8,49%, no dia em que o Santander reduziu a sua recomendação de «comprar» para «manter» com o preço-alvo para final de 2018 de 4.35 euros.

Cristina Bernardo
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A bolsa portuguesa encerrou em baixa em linha com a maioria das praças europeias (excepto a Alemanha), influenciada pelo desempenho de algumas ações em particular, como as da NOS e da Mota-Engil, enquanto que o comportamento do BCP e da EDP favoreceram o mercado.

O PSI 20 fechou a cair 0,1% para 5.420 pontos.

A Mota-Engil caiu 8,49%, no dia em que o Santander reduziu a sua recomendação de «comprar» para «manter» com o preço-alvo para final de 2018 de 4,35 euros.

A NOS também terminou com perdas significativas (-4.98%), após o Barclays ter reduzido a sua avaliação em 3% para os 5,80 euros, “reflexo de uma evolução mais contida dos KPI (key performance indicators, is, indicadores chave de performance) em 2018”, dizem os analistas do BPI. De lembrar que a empresa reportou ontem os seus resultados trimestrais.

O BCP ganhou 2,07% para os 0.2910 euros, recuperando assim parte das recentes perdas e “confirmando o cenário de volatilidade em que a ação tem transacionado”, segundo o comentário dos analistas do BPI.

A impulsionar o PSI 20 esteve ainda a Navigator que subiu mais de 1% para os 4.5880 euros.

Na Europa o EuroStoxx 50 caiu 0,15% para 3.392,36 pontos. Em contra-ciclo o Dax alemão subiu 0,14% para 12.237,74 pontos e o Ibex subiu ligeiramente 0,04% para 9.695,9 pontos. De resto o FTSE perdeu 0,09% para 7.132,69 pontos; o CAC 40 caiu 0,07% para 5.239,3 pontos; o FTSE MIB perdeu 0,94% e o índice grego caiu 0,66%.

Segundo o comentário de bolsa dos analistas do BPI, entre os piores performers figuraram as seguradoras, as empresas de telecomunicações e o setor químico, enquanto que as «utilities» apresentaram uma overperformance relativa, perante as recentes notícias sobre movimentos de consolidação.

A alemã E.ON avançou 4.11%, “ainda como reflexo da notícia de que vai comprar a Innogy, empresa de energia renovável da RWE, por 5200 milhões de euros”, ficando assim com as unidades de retalho e de transporte de energia das duas empresas. Por sua vez, a RWE ficará com o negócio de renováveis assim como parte da EON, lê-se no comentário do BPI.

Em Paris, a empresa francesa de telecomunicações Iliad caiu cerca de 10%, apesar de ter apresentado vendas e lucros anuais mais elevados em 2017.

“Os produtores de matérias-primas impediram perdas superiores nos índices, em virtude da subida do preço dos metais. Pelo contrário, apesar da subida do preço do petróleo nos mercados internacionais, o respetivo sector não acompanhou esta performance”, dizem os analistas do BPI.

O petróleo Brent cai 0,26% para 64,47 dóalres e o WTI nos EUA perde 0,13% para 60,63 dólares.

O euro caiu 0,15% face ao dólar para 1,2371 dólares.

Os juros da dívida portuguesa estão nesta altura a piorar (subir 2 pontos base) para 1,804%. Isto depois de manhã, por volta das 08:40 em Lisboa, segundo a Lusa, os juros a dez anos estarem a subir para 1,802%, contra 1,789% na terça-feira e o mínimo desde maio de 2015, de 1,742%, registado em 21 de dezembro do ano passado.

Espanha também com os juros a subirem 2 pontos base para 1,399%; Itália com os juros a 10 anos a subirem também 2 pontos base para 2,014%.

Os periféricos vêem ainda o prémio de risco subir face à dívida alemã a 10 anos que cai 2,6 pontos base para 0,593%.

Hoje foram conhecidos os dados do Eurostat. No 4º trimestre de 2017, o emprego cresceu 0,7% em Portugal, 0,3% na Zona Euro (a 19) e 0,2% na União Europeia (a 28).

Os países com as maiores subidas trimestrais registadas entre os Estados-membros foram Malta (1,8%), Estónia (1,6%), Finlândia (1,2%), Luxemburgo (1,1%) e Letónia (0,9%). Os países que registaram maiores quedas entre os Estados-membros foram Itália, Polónia (ambos com -0,3%), Grécia e Lituânia (ambos com -0,1%).

Em termos homólogos, Portugal apresentou, no 4º trimestre de 2017, uma taxa de variação positiva de 3,2%, o que compara com os 3,0% registados no trimestre anterior. Na Zona Euro (EA19) essa taxa foi de 1,6%, face a 1,7% no trimestre anterior, e na União Europeia (UE28) a taxa foi de 1,5%, face a 1,6% no trimestre precedente.

Ao longo do ano de 2017, o emprego cresceu 1,6% na Zona Euro e na UE28, o que compara com 1,3% e 1,2% em 2016, respectivamente.

O instituto estatístico europeu diz ainda que em dezembro de 2017, a produção industrial tinha registado variações de 2,5% em Portugal, 0,4% na Zona Euro e 0,3% na UE a 28.

Em termos homólogos, a produção industrial aumentou 2,7% na Zona Euro e 3,0% na UE28.

Já Portugal registou um aumento de 2,3%, após ter registado um aumento de 0,1% no mês anterior.

Entre os Estados-Membros para os quais existem dados disponíveis para janeiro de 2018, os maiores aumentos da produção no sector industrial em termos homólogos foram registados na Roménia (8,5%), Estónia (7,7%) e Suécia (7,1%). Verificaram-se as maiores quebras na Holanda (-6,6%), Malta (-1,7%) e Grécia (-1,6%).

(atualizada)

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