“Nova Iorque tem um dos mais vibrantes ecossistemas tecnológicos do mundo”

Pedro Pinheiro trabalha na Altice USA, operador de telecomunicações nos EUA. A partir de Nova Iorque explica a transformação tecnológica e o interesse da Google e da Amazon na “Big Apple”.

Pedro Pinheiro é vice-presidente of Customer Acquisition da Altice USA. Ou seja, lidera uma equipa  responsável pelo desenvolvimento da oferta comercial de produtos e serviços dirigida a novos clientes, em todo o território americano onde a empresa opera. Incluindo a estratégia de go-to-market, pricing, campanhas promocionais, desenvolvimento de novos pacotes e a experiência de cliente.

“Tenho de interagir com praticamente todas as áreas da empresa e sou sobretudo medido pelo número de novos clientes e pela receita média gerada por esses clientes”, diz ao Jornal Económico. O gestor vive em Nova Iorque, desde Outubro de 2017, para onde se mudou para  trabalhar na Altice USA. Esta empresa é o quarto maior operador de televisão, internet, telefone e hotspots WiFi por cabo e fibra dos EUA, que opera em vinte um estados diferentes. Em breve lançará também um serviço móvel, em parceria com outro operador. Além disso, a empresa tem também uma unidade de negócio de soluções de publicidade e dois canais próprios de televisão.

No entanto, Pedro já tinha vivido anteriormente nos EUA, entre 1998 e 2001. Nessa altura em Austin, no Texas, onde tirou um Master in Technology Commercialization e trabalhou em empresas como a 3M, IBM e Portugal Telecom.

“Nova Iorque tem um dos maiores e mais vibrantes ecossistemas tecnológicos do mundo. Embora seja muitas vezes mais reconhecida pela indústria financeira ou de moda, a cidade tem cerca de sete mil startups e 320 mil empregos em setores tecnológicos. É a segunda região com maior investimento de capital de risco, atrás de Silicon Valley. O volume de investimentos em 2017 foi de 12 mil milhões de dólares, um crescimento de 42% relativamente ao ano anterior, e o dobro do crescimento total de capital de risco nos EUA. Por outro lado, o facto de Nova Iorque ter o maior número de sedes de empresas da lista Fortune 500, muitas delas de setores tradicionais que que têm vindo a ser transformados pela própria tecnologia (retalho, saúde, banca, seguros, etc), faz dela um mercado natural para startups que pretendem desenvolver tecnologia relacionada com esses setores”, explica.

Google e Amazon apostam na “Big Apple”

O fenómeno mais recente tem sido o fortalecimento da presença em Nova Iorque das grandes empresas de base tecnológica. Por exemplo, em dezembro do ano passado, a Google anunciou que ia reforçar a sua já significativa presença na cidade na construção de um novo campus e duplicar o número de colaboradores para os próximos anos. No mês anterior, também a Amazon, após um competititivo processo de seleção entre 238 cidades, acabou por escolher a “Big Apple” como uma das duas localizações da sua futura segunda sede.

“Estes grandes investimentos ajudam a afirmar Nova Iorque como a grande alternativa tech da costa Leste, a atrair novas startups e a aumentar a massa de talento local”, destaca Pedro Pinheiro.

Os dias de semana começam normalmente cedo. O gestor costuma estar no escritório entre as 8h e as 8h30, um pouco antes das primeiras reuniões, onde aproveita para planear o dia de trabalho, e preparar temas que requeiram maior concentração. As reuniões são muitas, mas normalmente curtas, sendo as de 30 minutos as mais comuns. “Também procuro ir a vários eventos de networking. Quer sejam da minha indústria de telecomunicações e media, quer da comunidade tecnológica. Recentemente também comecei voluntariamente a criar pontes entre entidades em Portugal e Nova Iorque”.

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