Novas gerações aprendem a usar melhor a água

Tema faz parte dos currículos escolares a diversos níveis de ensino. O esforço para consciencializar crianças e jovens passa também pelo projeto Eco-Escolas e empresas como Águas de Portugal e EPAL.

Quando Sandra Cunha frequentou o ensino secundário em meados dos anos 90, as questões ambientais não iam ainda além dos 3R – reduzir, reutilizar, reciclar. Hoje é, orgulhosamente, responsável pedagógica de um colégio onde todos os alunos – desde o primeiro ano do 1.º ciclo do ensino básico até ao 12.º ano – têm uma disciplina obrigatória que aborda, entre outras temáticas fundamentais do presente e do futuro, as questões ambientais e a sustentabilidade do Planeta. Desenvolvimento Pessoal e Social, assim se designa, é o equivalente à disciplina de Educação para a Cidadania e Desenvolvimento ministrada nas escolas públicas e em cujo currículo figuram temas como educação ambiental e interculturalidade.

“O ambiente é uma temática trabalhada nas escolas cada vez mais”, explica Sandra Cunha, diretora pedagógica do Real Colégio de Portugal, ao Jornal Económico. “Há curriculum, desde logo, em Estudo do Meio, depois, em Ciências Naturais e, mais tarde, em Biologia, mas a questão estende-se a outras disciplinas e áreas, principalmente nas escolas que trabalham por projetos, como é o nosso caso. Juntamos todas essas temáticas que são curriculares e desenvolvemo-las de outra forma e noutro âmbito”.

A água, fonte de vida para todos os seres vivos, é uma temática fundamental. Todos os anos desperdiçamos milhões de metros cúbicos – só em 2018 perderam-se 172 milhões de m3 em Portugal. No Real Colégio em Lisboa, aposta-se, há muito, na sensibilização e consciencialização de crianças e jovens para a necessidade de poupar no consumo da água, através da ação. Junto às torneiras das casas de banho é bem visível uma indicação para que depois da sua utilização fiquem bem fechadas. Outra recomendação aponta à utilização do botão mais pequeno do autoclismo sempre que é suficiente. “A poupança é fundamental e não parte do professor dizer que façam desta ou daquela maneira, são os próprios alunos a produzir a mensagem, a criar os slogans e os cartazes”, salienta.

O Real Colégio conta com 359 alunos e tem natureza privada, mas existem igualmente muitas escolas públicas a implementar boas práticas ambientais. O Agrupamento de Escolas Cardoso Lopes é um caso. A ‘menina’ da comunidade educativa deste estabelecimento de ensino da Amadora é a horta ecológica. Usada como recurso didático por alunos e professores ganhou em março último um sistema de rega automática. Objetivo evitar o desperdício de água e aumentar a produção. A preocupação com tão escasso recurso é tão grande que nos dias de chuva é vulgar ver os Assistentes Operacionais aproveitarem a água precipitada para ações de limpeza. A boa prática está documentada no site do agrupamento para que todos possam ver e aprender com o exemplo.

Tanto o Agrupamento de Escolas Cardoso Lopes como o Real Colégio de Portugal integram o Projeto Eco-Escolas, que em 2019/2020 reconheceu 62 Eco-Agrupamentos. Promovido pela Foundation for Environmental Education, cuja secção portuguesa é a Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE), este programa educativo internacional encoraja o desenvolvimento de atividades, “visando a melhoria do desempenho ambiental das escolas”, de forma a contribuir “para a alteração de comportamentos e do impacto das preocupações ambientais nas diferentes gerações”. O trabalho desenvolvido pelos alunos é reconhecido e premiado.

Desafios, concursos, programas, enfim, todo o tipo de iniciativas possíveis e imaginárias é desenvolvido por entidades, instituições e empresas, visando a melhor utilização da água pelas novas gerações. O Grupo Águas de Portugal , por exemplo, desenvolve ações a solo ou em parceria com a já referida ABAE ou a associação DECO, agrupamentos escolares e outras associações do setor, produzindo e distribuindo suportes e materiais informativos e didáticos a toda a comunidade escolar. O filme “A água é um mundo fantástico”, integrado nos recursos do Ministério de Educação e o AQUAQUIZ, jogo pedagógico concebido para ser jogado em sala de aula, por alunos dos 2º e 3º ciclos do Ensino Básico, também disponível em app são apenas duas amostras.

O Centro de Educação Ambiental Água a 360º da Águas de Portugal em Lisboa e o Centro de Educação Ambiental da Tejo Atlântico permitem experiências interativas inolvidáveis, tal como o Museu da Água da EPAL, visitado todos os anos por milhares de crianças e jovens portugueses.

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