Novembro não trouxe acalmia nas bolsas

A volatilidade continuou a ser a nota dominante na primeira metade deste mês. As quedas registadas em outubro estão a fazer com que muitos analistas ponderem se o “bull market” terminou.

Traders work on the floor of the New York Stock Exchange, (NYSE) in New York, U.S., March 7, 2018. REUTERS/Brendan McDermid

Depois de um mês de outubro muito complicado para as bolsas, os níveis de volatilidade ainda não regressaram à normalidade e permanece a dúvida acerca da continuidade do mais longo bull market da História nas bolsas norte-americanas. Após ter recuado mais de 20% em outubro, Xangai está a ter um mês positivo, com base na expectativa de um maior entendimento entre a China e os EUA nas questões comerciais, à medida que se aproxima o G20 em Buenos Aires.

São evidentes as discussões acerca do ponto do ciclo em que as economias se encontram, com receios de desaceleração para 2019. A subida de juros por parte da Fed tem vindo a assustar os investidores. Esta semana, a PIMCO – maior gestora mundial de obrigações – dizia que a Fed se arrisca a prejudicar o crescimento económico dos EUA, à medida que vai repondo as taxas de juro para níveis que julga serem neutrais e as tensões comerciais impulsionam a inflação. A nível político há pontos de tensão: o resultado das eleições intercalares nos EUA coloca desafios a Trump e dificultará a implementação da sua agenda de estímulos fiscais e de infraestrutura; na Alemanha, Merkel pode não conseguir chegar ao final do seu mandato, após ter anunciado a saída em 2021; Roma prossegue o braço de ferro com Bruxelas acerca do orçamento para 2019, um problema que poderá escalar; o Brexit continua a ser uma dor de cabeça para britânicos e europeus e a crise política que se está a instalar em Londres parece adensar-se.

Esta semana o Deutsche Bank juntou-se aos que estão negativos para a bolsa ao prever que o índice pan-europeu Stoxx 600 deverá fechar o ano de 2019 nos 345 pontos, ou seja 5% abaixo dos níveis atuais. O Deutsche Bank justifica a previsão com a pressão que decorrerá da subida das taxas de juro reais, via obrigações, e com a apreciação do euro.

Em Portugal, a semana também foi negativa, em linha com as perdas do resto da Europa. A pesar no índice estiveram essencialmente as ações da Galp, EDP, Altri e Navigator. A queda da Galp esteve relacionada com a descida acentuada dos preços do petróleo nas últimas semanas. O preço do Brent tem vindo a cair quase diariamente desde o início de outubro. E, desde então, já recuou 25%, devido a questões ligadas a um acordo para a produção de crude e com o ajuste de posições por parte de fundos de investimento. Em relação à EDP, o recuo parece ter sido relacionado com o ambiente geral dos mercados e no caso da pasta de papel tratou-se de uma queda que atingiu todo o setor a nível europeu.

Vale ainda a pena notar o bom comportamento relativo das ações do Millennium BCP, reagindo à apresentação de resultados que foram vistos como positivos. Mas ao não chegar aos 26 cêntimos por ação, o MBCP voltou a não conseguir superar o máximo relativo anterior e, assim, mantém-se a tendência negativa nos preços que já permanece desde os 33 cêntimos alcançados em janeiro deste ano. Destaque ainda para o comportamento negativo das ações da Sonae  SGPS, apesar de ter apresentado um crescimento dos lucros de 50%, aumento de vendas e rentabilidade.

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