Novo Banco tem 2,4 mil milhões em imóveis para venda

Prejuízo caiu 15% no ano passado, para 788,3 milhões de euros. Mas registou 1.374,7 milhões de euros imparidades, das quais 672,6 milhões para crédito e 126,3 milhões para imobiliário.

O Novo Banco tem no side bank imóveis (incluindo os de dação em pagamento por incumprimento de crédito) no valor líquido de 2,4 mil milhões de euros. Isto, depois de em 2016 o banco ter tido um encaixe líquido com a venda de imóveis no montante de 500 milhões de euros.

As provisões  para imóveis em 2016 somaram 126,3 milhões de euros.
O side bank, que será gerido pelo Fundo de Resolução durante oito anos –  se a venda do Novo Banco ao Lone Star de concretizar – tem ainda de gerir as vendas em curso do NB Ásia (que está acordada sinalizada e aguarda autorização dos reguladores); do BESV (Banque Espirito Santo et de la Venetie); e do Banco Internacional de Cabo Verde. O Moza Banco foi intervencionado e está em processo de aumento de capital. A participação no banco em Angola (Ex-BESA) é dada como perdida.

No que se refere ao side bank, ou seja, os ativos não estratégicos do Grupo Novo Banco, o seu valor era de 8.737 milhões de euros, líquido de provisões, em 31 de dezembro de 2016 o que compara com 10.843 milhões de euros a 31 de dezembro de 2015.
O mecanismo de capitalização contingente, assinado no âmbito da venda ao Novo Banco, leva em linha de conta com o valor fixado dos ativos do side bank para aferir perdas ou ganhos. Pelo que o valor dos ativos do side bank é importante para balizar a responsabilidade do Fundo de Resolução, nos oito anos após.

Na sua primeira apresentação pública de resultados do Novo Banco  António Ramalho trazia na bagagem algumas notícias boas e outras quase boas. Desde logo “pela primeira vez, o Banco apresentará contas sem qualquer qualificação dos auditores”, disse o CEO do banco que se apresentou com a nova comissão executiva na conferência de imprensa.

Prejuízos melhores
Na lista de novidades estão os prejuízos de 788,3 milhões de euros em 2016 (melhor que em 2015 em cerca de 15%); um elevado nível de provisionamento e imparidades (1.374,7milhões), acima das 1.057 milhões em 2015; um resultado operacional positivo de 387 milhões de euros (209% melhor do que em 2015) e uma redução de  crédito malparado de mil milhões (de 12,3 mil milhões para 11,3 mil milhões).

As imparidades de 1.374,7 milhões representam um aumento de 316,8 milhões face a dezembro de 2015, com as dotações para crédito e títulos a constituírem a componente mais expressiva.  As imparidades para crédito somam 672,6 milhões; as imparidades para títulos 315,9 milhões e 386,2 milhões para outro ativos.
O custo do risco de crédito fixou-se nos 1,99%. A atividade normal do banco tem um risco inferior a 50 a 60 pontos base, o resto são imparidades resultantes do legado do BES.

Os resultados do Novo Banco, “refletem o esforço de consolidação operacional prosseguido durante o exercício de 2016”, diz o banco. Tendo o resultado operacional atingido 386,6  milhões de euros ( que mais do que duplicou face a 2015). Isto foi determinado pela melhoria do produto bancário e pela redução dos custos operativos. O produto bancário situou-se em 977,5 milhões (+11,1% face a 2015) para o qual contribuiu o comportamento da margem financeira (+14,2%) e dos resultados de operações financeiras (+25,2%). Em sentido oposto as comissões cairam 22,1%.

Os custos operativos situaram-se em 590,9 milhões, evidenciando uma redução de 163,8 milhões (-21,7%) face ao período homólogo do ano anterior. O comportamento dos custos permitiu a melhoria expressiva do rácio de eficiência, com o Cost-to-Income a evoluir para 60,4% que compara com 85,8% em dezembro de 2015.
O prejuízo, apesar de melhor, não evitou a degração do rácio de capital (CET1) de 13,5% para 12% num ano.

“Em linha com a prossecução do processo de desalavancagem do balanço, especialmente na carteira internacional, o crédito a clientes registou, no exercício de 2016, uma quebra de 3,7 mil milhões de euros (parte importante relacionada com a transferência para ativos em descontinuação do BESV e do NB Ásia)”.
No último trimestre do ano o crédito a clientes reduziu-se em 400 milhões de euros, com o crédito à habitação e o outro crédito a particulares a manterem-se ao nível do registo no fim do 3º trimestre.

No quarto trimestre, os depósitos de clientes apresentaram um crescimento de 900 milhões, “em recuperação face à quebra verificada no início do ano”, diz NB. O banco adianta ainda que o valor de depósitos de 25,6 mil milhões de euros, registado em 31 de dezembro de 2016, representa uma redução de 1,8 mil milhões face ao período homólogo do ano anterior. “Evolução que não foi alheia à retransmissão de obrigações para o BES”, diz o Novo Banco.

Esta retransmissão das emissões de obrigações sénior, em 29 de dezembro de 2015, que tem originado processos judiciais de investidores como os fundos BlackRock e Pimco, teve como consequência o downgrade dos ratings de depósitos de longo prazo o que, conjugado com o adiamento da venda do Novo Banco em 15 de setembro de 2015, levou a uma redução dos depósitos de alguns grandes clientes institucionais e empresariais, explica o NB.
Apesar destas condicionantes, o resultado financeiro (margem) apresentou um crescimento de 14,2%, em termos homólogos, atingindo 514,5 milhões. “Esta evolução, para além de um menor nível de anulação de juros vencidos, contou com o impacto positivo da redução do custo dos passivos em 54pb (de 1,93% em dezembro de de 2015 para 1,39% em dezembro de 2016) superior à quebra da taxa ativa que foi de 37pb”.

Os objetivos fixados no Plano de Reestruturação foram integralmente cumpridos, diz Ramalho. Relativamente a novembro de 2015 (data de referência para efeitos dos compromissos assumidos com a DG Comp no âmbito do Plano de Reestruturação), o número de colaboradores reduziu-se em 1.312 (incluindo as atividades em descontinuação), acima do objetivo estabelecido de redução de 1000 a 31 de dezembro de 2016. A rede de distribuição evoluiu para 537 balcões (objetivo: 550 a 31 de dezembro de 2016) apresentando uma redução de 116 unidades.

A redução dos custos operativos ultrapassou a meta estabelecida que era de uma quebra de 150  milhões a 31 de dezembro de 2016.

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