Novo Banco vende GNB Vida por 190 milhões

Em comunicado o banco diz que a conclusão da transação nos termos ora acordados deverá ter um impacto neutro em resultados e um impacto positivo no rácio de capital Common Equity Tier 1 do Novo Banco. O banco reforçou imparidades para a GNB Vida entretanto. Recorde-se que este é um dos activos cobertos pelo Fundo de Resolução.

Cristina Bernardo

Ao fim de mais de um ano de negociações, o Novo Banco vendeu a seguradora GNB Vida.

Em comunicado à CMVM o banco liderado por António Ramalho diz que “no seguimento do comunicado de 3 de agosto de 2017” o Novo Banco informa que “celebrou com a Bankers Insurance Holdings, uma sociedade do grupo Global Bankers Insurance Group, LLC , um contrato de compra e venda da totalidade do capital social da GNB – Companhia de Seguros de Vida, por um montante total de 190 milhões de euros, (sujeito aos normais ajustamentos no fecho da transação) e acrescido de um montante variável em função da performance”.

Este valor fica abaixo do valor que o Novo Banco tinha registado no Balanço, no final de 2017, uma vez que, segundo informações públicas, o Novo Banco constituiu uma imparidade de 287,4 milhões para a seguradora, reduzindo o seu valor para 200 milhões devido às ofertas de compra.

No entanto em comunicado o banco diz que a conclusão da transação nos termos ora acordados deverá ter um impacto neutro em resultados e um impacto positivo no rácio de capital Common Equity Tier 1 do Novo Banco, sem especificar.

Ora segundo fonte do banco esta aparente contradição é explicada pelo facto de o banco ter feito mais 10 milhões de euros de imparidades este ano para a GNB Vida.

Recorde-se que este é um dos activos cobertos pelo Fundo de Resolução.

O relatório e contas do Novo Banco de 2017 pôs o valor tangível da GNB Vida nos 200 milhões de euros.  “A entidade passou a ser considerada como operação descontinuada em 31 de dezembro de 2017. O justo valor apresentado acima de 200 milhões de euros, líquido de uma perda por imparidade de 287 milhões de euros reconhecida no exercício de 2017”,  que “teve como base os valores indicativos de um conjunto de propostas para a compra da companhia”.

Isto significa que se a venda da GNB Vida fosse feita por 200 milhões de euros o banco não teria de registar qualquer perda na conta de resultados; mas se fosse vendida por um valor inferior a 200 milhões (o que foi o caso) teria de registar uma perda na proporção da diferença (e se fosse superior registaria uma mais valia em resultados). Só não registou uma perda porque reforçou imparidades. O Banco não explicou a razão do impacto positivo em capital.

O Novo Banco avisou no relatório e contas de 2017, no entanto, que, “importa referir que o processo de negociação está em curso e que esta estimativa do conselho de administração executivo deverá continuar a ser acompanhada e revista no próximo exercício em conformidade”. O que acabou por se verificar.

Este ajustamento ao valor da seguradora do ramo Vida para 200 milhões (segundo as contas de 2017) seguiu-se a outro de montante quase idêntico, feito ao goodwill da GNB Vida, que era de 234,6 milhões.

O goodwill é um valor intangível em balanço, que na prática traduz o valor futuro que o Novo Banco atribuiu à companhia. Se não tivesse sido feito o write-off da GNB Vida, a venda teria de ter em conta o goodwill. Por hipótese, se fosse vendida a 200 milhões, ainda assim teria uma perda equivalente ao valor do goodwill. Coisa que já não acontece porque foi feita uma imparidade desse goodwill a 100% em 2016. “O banco no final do exercício de 2016 procedeu ao reforço da imparidade sobre a totalidade do goodwill gerado com a aquisição da GNB Vida, encontrando-se o mesmo, no montante de 234,575 milhões de euros, totalmente coberto por perdas por imparidade a essa data”, diz o relatório e contas.

Segundo esse relatório e contas, “em 31 de dezembro de 2016 o Banco efetuou o teste anual de imparidade ao goodwill da GNB Vida com base numa avaliação independente”.

“A seleção da Global Bankers como comprador da nossa operação de seguros vida e como nosso parceiro na distribuição de seguros financeiros, foi feita através de um processo competitivo aberto e transparente. Com a entrada deste novo parceiro, asseguramos um aumento da capacidade seguradora e damos um passo decisivo no redesenho da oferta para os nossos clientes”, diz o Novo Banco em comunicado.

Esta operação inclui ainda a celebração entre o Novo Banco e a GNB Vida de um contrato de distribuição de produtos de seguros vida em Portugal, por um período de 20 anos.

“A concretização da operação de compra e venda da GNB Vida encontra-se dependente da verificação de diversas condições, incluindo a obtenção das autorizações regulatórias necessárias”, diz a nota.

“Esta transação representa mais um importante passo no processo de desinvestimento de ativos não estratégicos do banco, prosseguindo este a sua estratégia de foco no negócio bancário”, diz a instituição.

(atualizada)

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