Nuno Artur Silva, um problema de transparência bem decidido na RTP

Nuno Artur Silva (NAS), administrador da RTP para a área dos conteúdos, não vai ser reconduzido. O assunto foi caso de arromba pelos restaurantes de Lisboa e mereceu até, de algumas viúvas, uma choraminguice na praça pública. Também é verdade que os inimigos públicos da NAS se movimentaram nas tribunas da maledicência pura e dura.

Os respetivos exércitos enfrentaram-se por aí enquanto o Conselho Geral Independente (CGI) da RTP fazia o seu trabalho cercado por uns e outros. No final, o CGI convidou o atual presidente, Gonçalo Reis, para um mandato de mais três anos – mas sem NAS, que agora se queixa de ter sido “alvo de uma campanha difamatória reles e miserável”. Desconheço os pormenores, centro-me no essencial. NAS teve três anos para vender as suas Produções Fictícias e o correspondente Canal Q. Não quis ou não o conseguiu. Nesse período terá realizado um bom trabalho na RTP, e também parece adquirido que não favoreceu minimamente, na compra de conteúdos, as suas empresas, nas quais deixou de ser executivo. Dizem que fez um trabalho sério e empenhado. Basta? Não não basta! Se não basta para os políticos, para os detentores de cargos públicos, sempre sobre suspeita, também não pode bastar para os empresários de conteúdos e correlativa malta dos jornais. Não pode haver um critério que não seja definido pela transparência face às incompatibilidades. Não interessa se a comissão de trabalhadores da RTP fez ou não campanha e se ela foi ampliada por sôfregos do lugar em causa. O CGI não podia ter tomado outra decisão.