O banco recusou o seu pedido de crédito? Saiba o que fazer

Caso a concessão de crédito lhe tenha sido recusada aconselhamos que investigue e perceba o porquê da instituição financeira ter tomado tal decisão.

Um empréstimo financeiro consiste num contrato entre o banco e o cliente em que a instituição concede determinado montante de dinheiro ao consumidor para que este possa adquirir bens ou serviços.

Desta forma, o cliente compromete-se a pagar o empréstimo de volta dentro de um determinado prazo e mediante taxas de juro definidas pelo banco.

No entanto, ao conceder um empréstimo, o banco está a correr um risco que se traduz na probabilidade de não reaver o dinheiro que emprestou. Assim, quanto maior o risco da operação, mais altas serão as taxas de juro aplicadas, o que tornará o custo final do empréstimo mais elevado.

No limite, caso os especialistas da instituição financeira considerem que o risco da operação é demasiado elevado, o seu pedido de crédito poderá ser recusado.

Caso a concessão de crédito lhe tenha sido recusada aconselhamos que investigue e perceba o porquê da instituição financeira ter tomado tal decisão.

Depois de desvendar a razão (ou razões) do seu pedido de crédito recusado, está na hora de pôr mãos à obra e melhorar a sua reputação junto do banco para obter aprovação no financiamento.

 

O que fazer após um pedido de crédito recusado?

1. Reveja os seus registos bancários e confirme se existe algum erro

Os bancos investigam o seu historial financeiro de forma a averiguar se é, usualmente, cumpridor dos seus pagamentos. Um pedido de crédito recusado pode derivar de incumprimentos passados que estejam registados no seu historial bancário. Para verificar os seus registos pode aceder à Central de Responsabilidades de Crédito (CRC).

Este sistema de informação está disponível online, a qualquer cidadão, no site do Banco de Portugal e permite-lhe ter acesso ao seu historial bancário. Contém informações positivas (regulares) e negativas (incumprimentos, caso existam) face às suas operações de crédito.

Esta informação pode, ainda, ser pedida presencialmente nos balcões de atendimento do Banco de Portugal.

Não é da sua responsabilidade efetuar alterações caso encontre algum erro, mas deve contactar, de imediato, a instituição que concede o crédito uma vez que é esta que tem o poder de retificar ou alterar o seu registo.

2. Procure soluções para evitar o sobreendividamento

Se está numa situação em que sente que está a pressionar a sua taxa de esforço manifestando alguma dificuldade em pagar as suas prestações ao final do mês, ou se já tem, efetivamente, prestações em atraso, o melhor será procurar ajuda. Aconselhamos, primeiro que tudo, a falar com o seu banco e expor a situação.

A instituição bancária poderá apresentar-lhe várias formas de evitar o endividamento, nomeadamente através do PERSI (Procedimento Extrajudicial de Regularização de Situações de Incumprimento). Este processo assenta num acordo entre o banco e o cliente onde são apresentadas propostas de regularização de crédito.

Uma das hipóteses normalmente apresentada é a renegociação de crédito onde é oferecida a possibilidade de redução da prestação através do alargamento do prazo de pagamento. No entanto, as taxas de juro serão mais elevadas, logo o custo final do crédito aumentará. Outra das soluções, caso tenho mais de um empréstimo em simultâneo, passa pela consolidação de créditos.

Esta estratégia permite-lhe juntar todas as suas dívidas numa só prestação, diminuindo substancialmente o valor mensal a pagar, e pode, ainda, contribuir para a redução de taxas de juro.

Caso comece a sentir que a sua taxa de esforço está a ser demasiado pressionada, pode considerar pedir transferência do seu crédito para outra instituição. Esta solução adequa-se, por norma, ao crédito à habitação com o intuito de procurar ofertas de spread mais baixas para facilitar o pagamento de prestações.

Em casos extremos de sobreendividamento tem a possibilidade de pedir insolvência pessoal. Este é o último passo caso não consiga liquidar as suas dívidas.

Existem, ainda, entidades de apoio a famílias e indivíduos endividados como a APOIARE, o Gabinete de Apoio ao Sobre-Endividado (GAS) e ainda a Rede de Apoio ao Cliente Endividado (RACE) do Banco de Portugal às quais pode recorrer.

 

3. Não efetue outros pedidos de crédito   

Se o seu pedido de crédito foi recusado pela primeira instituição financeira à qual recorreu é porque, muito provavelmente, os especialistas financeiros que analisaram o seu pedido identificaram que o mesmo representava riscos para o banco. Não valerá a pena continuar a tentar outras instituições até ver as causas da primeira rejeição de crédito resolvidas.

4. Procure formas de melhorar a sua reputação junto do banco

“Passado é passado” e pode sempre tentar melhorar o seu histórico menos positivo junto do banco. Por exemplo, se melhorou as suas condições profissionais e passou a contrato efetivo por conta de outrem, dando-lhe mais estabilidade financeira, pode (e deve) apresentar com garantia ao banco pois é uma forma de comprovar que a sua taxa de esforço  será reduzida. Outras garantias, como a hipoteca da sua casa ou a apresentação de um fiador, também representam mais-valias para evitar um pedido de crédito recusado.

 

5. Confirme o seu relatório bancário novamente

Após ter seguido os passos acima que achar relevantes face à sua situação de recusa de crédito, volte a confirmar o seu relatório bancário num período potencial até três meses para se certificar que toda a informação foi retificada e alterada. Caso esteja tudo em ordem, poderá avançar para novo pedido de crédito.

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