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O Fuso regressa entre política e aquecimento global para nos confrontar com “Verões Quentes”

A reta final de agosto traz o FUSO de volta a Lisboa. De 26 a 31 de agosto, o festival de videoarte tem como missão abordar temas escaldantes. Não porque queimam, mas porque nos devem preocupar.
O colon, Welket Bungué
12 Agosto 2025, 18h54

É mesmo assim, sem paninhos quentes, que a 17ª edição do FUSO – Festival de Videoarte Internacional de Lisboa se apresenta este ano. Com a promessa de “Verões Quentes”, de 26 a 31 de agosto, em vários espaços de Lisboa, onde os artistas envolvidos irão propor a sua leitura sobre temas como o aquecimento global, que conduz cada vez mais a fenómenos climáticos extremos, e períodos políticos conturbados, como a Revolução dos Cravos e o verão quente português de 1975, entre outras temáticas ‘escaldantes’ de atualidade.

A entrada é gratuita em todas as iniciativas que vão acontecer nos espaços que este ano se associam ao FUSO. Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC), Palácio Sinel de Cordes, Palácio Galveias, Praça do Carvão do MAAT Central, Duplacena 77 e Museu da Marioneta. Mas não só. Outras entidades, muitas internacionais, foram também convocadas através de obras das suas coleções, caso do Centre National des Arts Plastiques de Paris, do norte-americano Electronic Arts Intermix e do Instituto Kinopravda, da Sérvia. Sem esquecer o cntributo da Bienal Walk & Talk, dos Açores.

Vamos ao programa, que arranca com uma conversa em torno do tema da 17.ª edição do FUSO, entre a historiadora e crítica de arte Isabel Nogueira e o público, a 26 de agosto, na Duplacena 77, no Regueirão dos Anjos. Simultaneamente, será inaugurada neste espaço a Mostra Fuso Insular, com obras produzidas durante o programa de residência Laboratório Imagem em Movimento, nos Açores.

A areia, como espaço físico e mental, que vai do deserto do Atacama até às margens do oceano, passando por Saqqarah, no Egito, vai estar em foco no programa “Sob a areia”, com curadoria de Manuela Marques, resultado de um mergulho profundo na coleção do Centre National des Arts Plastiques (CNAP-França). A sessão terá lugar a 28 de agosto no MNAC, e engloba seis vídeos que exploram o tópico (“areia”) como ficção, performance e documentário.

Seguimos Cronos no calendário até ao jardim do Palácio Sinel de Cordes, onde, a 29 de agosto Greg de Cuir Jr., cofundador e diretor do Instituto Kinopravda, com sede na capital sérvia, Belgrado, apresentará uma seleção de obras de cineastas e videoartistas do sudeste europeu. Objetivo? Dar a conhecer o trabalho do Instituto, que se foca maioritariamente na Arte Cinemática no século XXI. A seleção, intitulada “Southeast European State of Mind”, dá especial atenção ao corpo e ao movimento em espaços naturais, urbanos e pós-industriais.

O FUSO prossegue na sua demanda de encorajar os espectadores a envolverem-se criticamente com o mundo que os cerca através da imagem em movimento, em particular do “vídeo como ferramenta para a reflexão e consciencialização”, frisa a organização. Daí não abrir mão da chamada “sessão histórica do festival”, desenhada por Lori Zippay, curadora residente no FUSO e diretora emérita da Electronic Arts Intermix, um dos mais importantes repositórios de media art dos EUA. Nesta edição, Zippay propõe quatro obras icónicas da artista norte-americana Lynn Hershman Leeson, que desde a década de 1960 aborda e antecipa “o impacto abrangente das tecnologias sobre o indivíduo e como elas moldam a cultura”.

Antes do encerramento do festival, a 31 de agosto, no Museu da Marioneta, com a exibição das obras de Lynn Hershman Leeson, o jardim da Biblioteca do Palácio Galveias, ao Campo Pequeno, irá receber obras de diferentes geografias que traçam percursos entre a memória e o mito, a denúncia e o sonho, a terra e o corpo.

Damos ainda nota da Open Call – concurso de videoarte e das 13 obras selecionadas, de um total de 208 candidaturas, que serão apresentadas na noite de 27 de agosto na Praça do Carvão / MAAT Central. Os vencedores do Prémio Aquisição Fundação EDP/MAAT e do Prémio Incentivo DUPLACENA (escolha do público) serão revelados na última noite do festival.


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