Onde vai estar o emprego em 2019

As oportunidades estendem-se a todo o país com as áreas de Lisboa e Porto em destaque. TI darão cartas, mas Turismo, Hotelaria, Restauração, Retalho e Engenharias também estarão particularmente dinâmicas.

Emprego e desemprego estão diretamente ligados aos ciclos económicos e 2019 será um ano de desaceleração. Ainda assim, diz Rute Belo, manager da área de Finance da Spring Professional, empresa do Grupo Adecco especializada no recrutamento de funções de nível médio:_“Os estudos que vão sendo publicados indicam que, apesar de algum desaceleramento na economia que já se começou a fazer sentir no último trimestre de 2018, as perspetivas de recrutamento de um grande número de empresas continua em alta, pelo que 2019 será ainda um ano muito positivo.”

Álvaro Fernández, diretor-geral da Michael Page, empresa de recrutamento especializado, lembra os bons níveis do crescimento económico e do emprego em particular, obtidos no ano que acaba de findar e lança: “2019 deverá manter um bom dinamismo.“

Onde? No geral, a dinâmica estende-se de norte a sul, mas o destaque vai para as duas principais cidades e respetivas áreas metropolitanas. “As áreas geográficas da Grande Lisboa e Grande Porto continuam a ser os principais focos de emprego, com as regiões turísticas a continuarem a registar um bom desenvolvimento da área de hospitalidade e lazer“, diz Álvaro Fernández. A estas áreas geográficas, Celso Santos, Business Unit Manager da área Professionals da Randstad, acrescenta a zona centro de Portugal, na faixa entre Aveiro e Leiria. Justificando: “Apresenta uma grande diversidade de setores como logística, cerâmica, tecnologia e indústria automóvel, sendo esta zona responsável também por um grande crescimento na criação de emprego.“

Nas suas previsões para o primeiro trimestre de 2019, o “Manpower Group Employment Outlook Survey”, traçava, há três meses, um cenário em idêntica direção: “As empresas do norte e centro de Portugal antecipam aumento no número de colaboradores no início do ano“.

Sandrine Veríssimo, Regional Director da Hays Portugal, empresa especializada em recrutamento de profissionais qualificados assinala, por seu turno, uma tendência de crescimento das intenções de recrutamento por parte das empresas nas regiões centro e sul, sendo 84% na região centro e 83% na região sul. No entanto, salienta: “Enquanto entre os profissionais do centro o interesse numa mudança de emprego aumentou (75%), na região Sul esse interesse permanece nos mesmos 69%.”

No geral, os players do mercado ouvidos pelo Jornal Económico traçam um ano auspicioso em termos de criação de emprego com oportunidades em várias áreas. E uma prioridade. “Ênfase especial, como já vai sendo hábito, para os setores tecnológicos (onde o desafio é sem dúvida ter candidatos para as muitas ofertas em aberto no mercado), mas também para as engenharias e até mesmo para as áreas financeiras, fruto dos Centros de Serviços Partilhados que têm vindo a ser criados por grandes empresas multinacionais em Portugal, de norte a sul, mas em que o conhecimento de vários idiomas é um requisito imprescindível”, avança Rute Belo.

Os perfis de Tecnologia de Informação (TI) são prioritários para 2019, proclamava em meados de dezembro de 2018 o  “Guia do Mercado Laboral 2019“ da Hays:  o dinamismo das contratações vai continuar a acelerar tanto no volume de contratações como nas tendências e preferências de recrutamento. À semelhança de outros anos, os perfis mais solicitados serão Project Managers, Comerciais, ERP, Business Analytics, Outsystems Developers Java/.NET, Mobile Developers, Machine Learning Engineers, Python Developer/Data Scientist. A escassez destes perfis, acrescentava o documento, aliada à procura constante por parte dos empregadores e à entrada de empresas internacionais com uma oferta salarial acima da média continuarão a acentuar a pressão salarial no setor.

Além das TI, Álvaro Fernández diz que também serão criadas oportunidades sobretudo nas áreas da Hotelaria e Turismo, Shared Service Centers, Customer Care e Retalho. “A Indústria continuará a dar um contributo significativo para o PIB nacional. Em especial a norte, as empresas de componentes para a indústria automóvel, metalomecânicas, cortiça, papel, têxtil serão as mais desenvolvidas“, justifica. Também o setor financeiro, acrescenta, continuará a ter necessidades ao nível de compliance devido à regulação comunitária e nacional, o que poderá levar a um reforço dos departamentos Jurídicos. Ainda segundo o responsável da Michael Page, verificar-se-á um acréscimo no recrutamento da figura de Data Protection Officer, fruto das leis do Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD). Face ao crescimento do e-commerce e do digital, as organizações irão apostar no recrutamento de profissionais para os seus departamentos de Compras e Logística.

Rute Belo explica que com “a redução do desemprego e com alguns estudos a perspetivar aumentos salariais nos diferentes níveis organizacionais em quase todo os setores, o poder de compra aumenta e quem sai a ganhar é o Retalho”. O setor mostrará também alguma dinâmica, pelo reforço da presença de players internacionais no mercado português e pelo crescimento dos já existentes, adianta.

Aos setores que prevêem maior crescimento em 2019, Celso Santos, da Randstad, junta a Logística e o Imobiliário. “Poderá dizer-se que estes setores traduzem uma grande procura de profissionais qualificados e experientes para colmatar as suas necessidades de recrutamento com vista a sustentarem o seu crescimento.”

A provar que criação de emprego não é mera retórica, o grupo Multipessoal entrou em 2019 já a recrutar: “Pretendemos contratar mais de 100 novos quadros. Procuramos profissionais de todas as gerações, desde recém-licenciados a profissionais séniores, designadamente quadros que possuam especialização nas áreas de Marketing, Recursos Humanos, Gestão Comercial e Gestão de Clientes”, revela António Eloy Valério, CEO do grupo.

Março é o horizonte para esta contratação, que visa “dar continuidade aos novos projetos” que a Multipessoal acaba de ganhar.

Artigo publicado na edição nº1970, de 4 de janeiro, do Jornal Económico

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