Oportunidades

O medo é uma arma muito poderosa. Para muitos eleitores de centro direita será preferível dar a maioria absoluta ao PS do que experimentar mais quatro anos de geringonça, para mais numa altura de instabilidade e de incertezas profundas sobre para onde vai o mundo.

O primeiro-ministro António Costa sabe que os principais obstáculos à conquista de uma maioria absoluta nas eleições de outubro situam-se à Esquerda. O PS precisa, por isso, dos votos dos eleitores do centro e centro-direita que não se reveem no PSD de Rio e receiam os efeitos do abrandamento da economia global. Para muitos destes eleitores será preferível dar a maioria absoluta ao PS do que experimentar mais quatro anos de geringonça, para mais numa altura de instabilidade e de incertezas profundas sobre para onde vai o mundo.

É neste contexto pré-eleitoral que deve ser interpretado o alerta deixado pelo primeiro-ministro sobre uma provável crise global no próximo ano. Afinal, o medo é uma arma muito poderosa, que ajuda o crítico mais empedernido a pensar duas vezes antes de votar. Mas esta constatação não nos deve impedir de vislumbrar, no horizonte, as nuvens cada vez mais sombrias, devido à guerra comercial, à instabilidade em vários países e ao arrefecimento da economia alemã. Da mesma forma que beneficiou da bonança dos últimos anos, Portugal deverá agora ser penalizado pelo abrandamento nos seus principais mercados.

Dito isto, o país está hoje melhor preparado para enfrentar a crise global do que estava em 2008 e 2011. As contas públicas estão equilibradas, a dívida está sob controlo (embora continue a representar um pesado encargo), o sistema bancário permanece estável e a própria União Europeia está melhor apetrechada para enfrentar uma crise. Por outro lado, lá fora, Portugal é visto como um oásis de estabilidade e segurança, o que muito se deve ao sucesso da solução governativa que Costa criou em 2015. Este é, digamos, o lado positivo.

O negativo é que, devido às dinâmicas da geringonça, os anos de vacas gordas não foram aproveitados para reformar a fundo a Administração Pública, reduzir a carga fiscal e fazer os investimentos necessários em infraestruturas e serviços públicos. Enquanto isso, permanecemos entre os países menos competitivos da zona euro, à frente apenas da Grécia, Chipre e Malta, segundo o Fórum Económico Mundial. Nestas áreas, até prova em contrário, os últimos anos parecem ter sido uma oportunidade perdida.

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