Orçamento Trump corta na saúde para financiar defesa e muro da polémica

O orçamento apresentado esta segunda-feira pelo Presidente dos EUA no Congresso pretende ser de contenção de custos para controlar o aumento do défice nos próximos 10 anos. Apesar disso, infraestruturas e programas militares receberam viram o investimento crescer.

O presidente dos Estados Unidos foi esta segunda-feira ao Congresso norte-americano apresentar o segundo orçamento do Estado desde que foi eleito. Para controlar o défice, Donald Trump pretende cortar nas despesas da Administração, com o sistema de saúde Medicare e com a Agência de Proteção do Ambiente. Em contrapartida, aumentou o investimento em infraestruturas e defesa.

O orçamento no valor de 4,4 biliões de dólares até 2019 aumenta o tecto para despesas com programas domésticos e militares em 300 mil milhões de dólares, tal como tinha sido acordado na semana passada com um grupo bipartidário de senadores.

Para programas militares e nucleares são destinados 716 mil milhões de dólares, enquanto segurança fronteiriça prevê um gasto adicional de 571 milhões de dólares e a contratação de duas mil pessoas para os serviços de Immigration and Customs Enforcement. Aumenta também o financiamento para a contratação de juízes e advogados para lidarem com casos de imigração ilegal.

Já para as infraestruturas, Donald Trump pretende injetar 200 mil milhões de dólares, parte do plano a 10 anos para investir 1,5 biliões de dólares através de parcerias estatais, locais e privadas. A estes acrescem 23 mil milhões são para a construção do muro na fronteira entre os Estados Unidos e o México. O polémico muro foi crucial para o presidente receber apoio político dos Republicanos mais conservadores, mas não é visto com bons olhos pela generalidade dos Democratas.

Défice controlado à custa do ambiente e saúde

No entanto, é um orçamento de contenção de custos, que visa reduzir o défice em mais de três biliões de dólares nos próximos 10 anos, especialmente em programas não-militares. Para isso, pretende cortar 27% nos custos com a Administração e Estado, 34% na Agência de Proteção Ambiental e ainda 237 mil milhões de dólares do programa de saúde Medicare.

“Estes cortes em investimentos federais críticos são tão extremos que só podem refletir o desdém [da Administração] pelas famílias trabalhadoras e a falta de visão total para uma sociedade mais forte”, reagiu o líder democrata no Comité do Orçamento da Casa dos Representantes, John Yarmuth, num um comunicado, citado pela agência Reuters.

O orçamento prevê um crescimento do produto interno bruto (PIB) de pelo menos 3% nos próximos 3%, o que significa um objetivo ambicioso e necessário para gerir o corte de 1,5 biliões de dólares em impostos, aprovado no Congresso norte-americano em dezembro do ano passado.

A Administração também reviu em alta a estimativa de défice, prevendo agora que aumente para 984 mil milhões de dólares, até 2019. O valor compara com os 873 mil milhões de dólares previstos no ano passado, para o mesmo período, e fica consideravelmente abaixo da projeção do Comité para um Orçamento Federal Responsável, de 1,19 biliões de dólares.