O Grupo Orey passou de 250 mil euros de lucro em setembro de 2017 para 4,73 milhões de prejuízos em setembro de 2018. Se expurgarmos os interesses minoritários, portanto o resultado líquido atribuído ao maior acionista, verificamos que passa de um lucro de 70 mil euros em setembro do ano passado para um prejuízo de 4,883 milhões em setembro deste ano.
Em comunicado o Grupo destaca os resultados das atividades em continuação. Recorde-se que o ramo financeiro da Orey Antunes, a Orey Financial, tornou-se independente do grupo, a partir desta terça-feira, 14 de agosto. A parte financeira foi adquirida por Duarte d´Orey, o acionista maioritário da Orey Antunes.
As unidades em descontinuação, das quais fazem parte a Orey Financial e a unidade de investimentos alternativos no Brasil, tiveram um impacto negativo de 3,20 milhões de euros, “essencialmente devido à depreciação do real brasileiro face ao euro, que impactou o valor de balanço destes activos e passivos”, refere a Orey no relatório e contas.
Só a Orey Financial, nos primeiros nove meses, apresentou um resultado líquido negativo de 212 mil euros.
No que toca à atividade tradicional do grupo (navegação, transportes e logística e representações técnicas), “nos primeiros nove meses de 2018 o Grupo Orey apresentou resultados líquidos das atividades em continuação negativos, no montante de 1,528 milhões de euros. Estes resultados, refletem ainda assim uma maior rentabilidade das operações (a margem bruta cresceu 2,4 pontos percentuais para 29,57% e os custos operacionais reduziram-se em 18,4% nos 9 meses de 2018 face aos 9 meses de 2017), tendo esta melhoria de rentabilidade sido prejudicada pelo abrandamento das receitas globais ao nível do negócio de transportes e logística quer na Península Ibérica quer em África”, explica o Grupo em comunicado ao mercado. Em particular, as receitas operacionais relacionadas com o negócio de transportes e logística em Angola foram afetadas pela desvalorização superior em 60% do kwanza face ao dólar.
O resultado dos primeiros nove meses “foi ainda penalizado pela integração dos custos associados à amortização do ganho não efetivo relativo à obrigação Orey Best Of. Uma vez mais, nem o ganho em 2017 nem os custos futuros têm qualquer impacto fiscal ou no cash flow da empresa”, garante a empresa.
As receitas operacionais alcançaram 43,73 milhões de euros nos nove meses, “tendo-se observado uma redução de 16,4% face ao período homólogo, equivalente a 8,58 milhões de euros”.
Para esta redução contribuíram principalmente as áreas de transportes e logística em Portugal e Espanha. “Este decréscimo é principalmente devido a reduções nas receitas das áreas de consignação, operações e afretamentos (port agency) e na área de trânsitos (forwarding), estas reduções
tiveram impacto quer ao nível dos volumes quer ao nível dos preços”, diz a Orey Antunes.
No caso do segmento Africano, o seu desempenho foi penalizado por dois fatores: A menor nível de atividade ao nível dos transportes especiais (project forwarding) em Angola, o qual reflete essencialmente a natureza menos recorrente desta área de negócio e uma depreciação de 3,2% do dólar
americano, moeda na qual são registadas as receitas desta unidade, face ao Euro e uma forte desvalorização do Kwanza face ao dólar em mais de 60%.
A perda de receita impactou também a margem bruta registada nos nove meses, “embora se verifique também que, em linha com o ano passado, existe uma melhoria da margem bruta (percentualmente), a qual aumentou em 2,4 pontos percentuais para 29,57% até setembro de 2018”, diz a empresa.
No que se refere ainda à atividade da Sociedade Comercial Orey Antunes (SCOA) os custos operacionais reduziram-se em 18,4% nos nove meses face ao período homólogo para 9,34 milhões de euros “continuando a refletir as melhorias obtidas com a execução do plano de reorganização e do esforço que o Grupo tem vindo a fazer ao nível da redução de custos desde início de 2016.
O EBITDA cai 1,3 milhões de euros para 1,65 milhões de euros nos 9 meses deste ano, “uma vez que houve investimentos em custos não recorrentes (nomeadamente redução de pessoal) que deverão ser compensados por melhores resultados operacionais futuros à semelhança do que tem vindo a ser feito nos últimos dois anos”.
Nas rubricas de juros, “regista-se um aumento do custo principalmente por causa do início da reintegração do ganho registado em 2017 com a revalorização da emissão obrigacionista Orey Best Of na sequência da sua reestruturação em junho de 2017”, diz a Orey Antunes que lembra que este custo não tem impacto no cash flow.
No Balanço constata-se que o passivo registou uma redução de 5,71 milhões de euros, para 98,28 milhões de euros no terceiro trimestre, devido a redução do passivo das atividades detidas para venda.
O capital próprio consolidado da SCOA alcançou 7,43 milhões de euros, apresentando uma redução 7,19 milhões de euros explicada pelo resultado do exercício e pela variação negativa das reservas de conversação das demonstrações financeiras, em resultado sobretudo da desvalorização do kwanza angolano, explica a empresa liderada por Duarte d’Orey.
Para dar corpo à decisão de regresso à separação das áreas financeiras e industriais, a Orey Antunes mudou a administração. Saiu Tristão da Cunha, Nuno Vieira, Francisco Van Zeller e Alexander Sommerville Gibson. Miguel Ribeiro Ferreira deixou a Comissão Executiva.
A Orey pretende concluir o processo de reestruturação que começou em 2016 este ano, executando a saída da SCOA dos sectores financeiros e de investimentos alternativos no Brasil por forma a poder concentrar os seus recursos no sector dos transportes e logística.
