Os problemas de Fernando Santos

As exibições, e golos, de Bernardo Silva e Cristiano Ronaldo, na Liga dos Campeões, são as primeiras boas notícias, em muitas semanas, para a seleção nacional e o seu treinador, Fernando Santos. E já só estamos a quatro meses da estreia de Portugal no Mundial, com a Espanha, a 15 de junho, na cidade russa de Socchi

A quatro meses da estreia de Portugal no Campeonato do Mundo de futebol (com a Espanha, a 15 de Junho, em Socchi), a dupla jornada da Liga dos Campeões trouxe finalmente boas notícias para a selecção.

Bernardo Silva não desaproveita as oportunidades, e quando é chamado a representar a constelação de estrelas do Manchester City deixa sempre uma marca. Desta vez, em Basileia, de novo um bom golo. Mais do que isso, a confirmação de que está em forma.

E depois há Cristiano Ronaldo a subir de rendimento e a marcar golos, como é habitual nestes meses finais de temporada. O capitão português já não é, obviamente, o desequilibrador que era há dois/três anos (e isso é visível no 1×1, que agora raramente procura), mas continua a fazer golos como ninguém: cinco nos últimos dois jogos, separados por quatro dias. Ajuda grande para manter o Real Madrid vivo na única prova que realisticamente pode ainda ganhar: a Champions.

Bernardo e Cristiano são as primeiras boas novidades, em muitas semanas, para Fernando Santos.

O treinador tem assistido às lesões sucessivas de vários dos seus convocados habituais, como Cédric (Southampton), José Fonte (West Ham), Rafael Guerreiro (que já voltou, no Dortmund, aparentemente bem) e Danilo (FC Porto), o caso agora mais preocupante.

E a esses problemas juntam-se vários outros, mais específicos.

André Gomes não aproveita uma oportunidade em Barcelona, clube no qual também Nélson Semedo não consegue a afirmação a titular.

O eclipse de Renato Sanches no Swansea, onde chegou emprestado pelo Bayern, atingiu o zénite quando nem sequer foi convocado. A substituição do treinador, com a contratação de Carlos Carvalhal, forneceu, no entanto, uma ajuda preciosa ao jovem que há dois anos explodiu no Estádio da Luz e foi eleito o talento mais promissor do futebol europeu. A ver se ainda tem tempo para recuperar.

André Silva senta-se no banco do Milan.

João Mário teve de sair do Inter emprestado, para o West Ham, onde só fez ainda um jogo.

Adrien Silva apenas voltou a jogar em janeiro, depois de falhado o prazo de transferência do Sporting para o Leicester.

Nani e João Cancelo também estiveram lesionados e só agora começam a ser mais habituais nos jogos da Lazio e Inter, respectivamente.

Eliseu tornou-se suplente no Benfica.

Como boas e sólidas notícias, Fernando Santos apenas pode congratular-se com a evolução de Gélson Martins (Sporting), Gonçalo Guedes (Valência), e a constância na temporada de Rui Patrício, também em Alvalade, de Pepe e Quaresma (Besiktas, ambos) e de João Moutinho (Mónaco).

Perante este panorama, as possibilidades da equipa nacional na Rússia vão depender muito da evolução da forma dos jogadores nestes quatro meses, e da recuperação da saúde de muitos deles, alguns dos quais, e são vários, já bem entrados nos 30 anos.

Com todos estes problemas, a convocatória dos 23 de Fernando Santos estaria, por agora, mais ou menos assim:

Na baliza – Rui Patrício e António Lopes (Lyon) são fixos. O outro guarda-redes, e talvez por esta ordem, sairá do trio constituído por Beto (Göztepe), José Sá (FC Porto) e Bruno Varela (Benfica).

Defesa-direito – Cédric, recuperado e em forma, não falha. João Cancelo, Nélson Semedo, e talvez até Ricardo Pereira (FC Porto), podem pensar no lugar que em França foi de Vieirinha (agora no PAOK e afastado desta luta).

Defesa-esquerdo – Rafael Guerreiro, sempre; Fábio Coentrão (Sporting) provavelmente o outro, se Eliseu não recuperar o lugar na defesa do Benfica.

Centrais – Sem lesões, é fácil: Pepe, José Fonte, Bruno Alves (Rangers) e Luís Neto (Fenerbahce). Se, por azar, for preciso outro jogador, talvez Paulo Oliveira (Eibar) e Rúben Dias (Benfica) sejam aqueles que têm mais possibilidades neste preciso momento, porque Fernando Santos já demonstrou que não conta com Rolando (Marselha), outro veterano.

Médio-defensivo – William Carvalho (Sporting) e Danilo, claro. Qualquer contratempo dará a entrada automática de Rúben Neves, a jogar a grande nível no Wolverhampton, de Nuno Espírito Santo, equipa que está a caminho da promoção à Premier.

Médios criativos – Gélson Martins e Bernardo Silva, pela direita João Moutinho e Adrien Silva, ao meio, João Mário para jogar sobre a esquerda. Os lugares de André Gomes e Renato Sanches, que estiveram no Europeu ganho em França, correm risco. Se Moutinho ou Adrien não estiveram a 100%, a relativa surpresa pode ser dada pela entrada de Manuel Fernandes (Lokomotiv Moscovo), que respondeu bem na última chamada.

Avançados – Cinco médios criativos, permitiriam a Fernando Santos escolher quatro avançados para acompanharem o capitão CR7, dois deles com condições para fazerem vários lugares, como Nani e Gonçalo Guedes. Qualquer dos dois pode fechar o meio-campo pela esquerda e jogar até na frente. Das outras duas vagas, uma é para o indiscutível André Silva, o libertador de Ronaldo. A outra provavelmente será ainda de Quaresma, o jogador preferido do treinador para mexer com um jogo que não esteja a correr bem. O que é que isto significa? Que Éder, o herói do Europeu, pode ficar de fora.

Para lá deste lote, só poderá haver chances para Pizzi e Rafa (Benfica), Bruno Fernandes (Sporting), quanto muito Diogo Jota (Wolverhampton) e Sérgio Oliveira (FC Porto). Mas qualquer deles precisaria de quatro meses em cheio, ou de muitos azares com vários colegas.

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