Os três mitos infundados do investimento sustentável

O interesse dos investidores em ativos sustentáveis é cada vez maior, numa procura de retorno financeiro, compromisso social e menor risco.

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Apesar da atenção, a falta de conhecimento continua a revelar-se uma barreira real à concretização destes investimentos. Perante os mitos infundados que circulam no mercado, informar torna-se uma prioridade.

 

Mito 1:

Existe apenas uma estratégia única de investimento sustentável

É comum associar-se o investimento socialmente responsável à exclusão de indústrias que contrariam princípios ambientais ou éticos, como o tabaco ou jogo. Esta triagem negativa é, contudo, apenas uma das muitas abordagens que podem ser seguidas na gestão de investimentos sustentáveis. A incorporação de indicadores ESG (environmental, social e governance) assume-se como uma das principais estratégias, sendo considerada pela CMVM como critério fundamental na definição de um investimento sustentável. Baseia-se na consideração de uma série de riscos e oportunidades relacionados com a sustentabilidade e indicadores ESG, a par da análise financeira tradicional. Além da triagem negativa e indicadores ESG, outras estratégias podem ser seguidas: compromisso e exercício ativo de voto (num envolvimento efetivo capaz de gerar impacto positivo), investimentos best-in-class (em empresas com o melhor desempenho sustentável em cada setor), triagem positiva (com investimento em empresas que sigam regras mínimas de desempenho sustentável segundo as normas internacionais); investimento temático (centrado em temas específicos, como energias renováveis) e investimento de impacto (cujo principal objetivo é gerar efeitos sociais mensuráveis, além do retorno financeiro).

 

Mito 2:

O investimento sustentável não é atrativo

O investimento sustentável tem vindo a tornar-se gradualmente mais atrativo, como demonstra o Estudo de Investidores Globais 2018, da Schroders. No caso de Portugal, 85% dos investidores afirmam que o investimento sustentável é cada vez mais importante. Nos últimos cinco anos, 69% dos investidores nacionais aumentaram os seus investimentos sustentáveis e apenas 3% nunca fizeram qualquer investimento desta índole. Globalmente, os investidores com maior nível de conhecimentos e os Millennials têm maior predisposição para investimentos sustentáveis. A maioria dos investidores espera ter maior rentabilidade com os ativos sustentáveis. Diversos estudos académicos têm demonstrado que a incorporação de indicadores ESG pode ter um impacto positivo na rentabilidade das empresas a longo prazo. Além disso, os critérios ESG afetam diretamente o preço das ações: de lembrar que, em 2015, as ações da Volkswagen caíram 35% em dois dias, na sequência do escândalo das emissões.

 

Mito 3:

Podem obter-se os mesmos resultados através de investimento passivo

Os ETF sustentáveis combinam comissões baixas com indicadores ESG. No entanto, muitos destes produtos passivos não prestam detalhes sobre como implementam efetivamente estes indicadores. Regista-se uma notória falta de consistência na pontuação ESG emitida por cada fornecedor de dados. Tal acontece porque os indicadores resultam de uma série de análises subjetivas, baseadas em informações públicas elementares e que podem levar a conclusões muito distintas. Nesse sentido, o investimento passivo acaba por depender de um único ponto de vista e poderá não cumprir os objetivos do investidor na sua estratégia de exposição a ativos sustentáveis. É crucial lembrar que a oferta de produtos de investimento sustentável é variada, o que torna estas estratégias mais acessíveis e apelativas. A maioria dos ativos em fundos de investimento para o investidor final é de rendimento variável, mas existem outras alternativas de rendimento fixo e no setor imobiliário que podem ser atrativas.

 

 

 

Este artigo foi produzido em colaboração com a Schroders.

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