Papéis do Paraíso: Isabel II e Administração Trump apanhados numa nova investigação às offshores

O conselheiro do primeiro-ministro canadiano, o vocalista dos U2, Madonna e o co-fundador da Microsoft são outros dos nomes visados na investigação que mostra, segundo o jornal ‘Expresso’, que “evitam pagar impostos recorrendo a esquemas de contabilidade cada vez mais criativos”.

Hannah McKay/REUTERS

A nova fase das investigações do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), do qual faz parte o jornal ‘Expresso’, veio este domingo pôr a descoberto os investimentos de mais de 120 políticos no mundo inteiro em paraísos fiscais. Na lista de fuga aos impostos aparecem nomes como a rainha Isabel II, o conselheiro do primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, e são expostas as ligações entre a Rússia e o secretário do Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross.

Ao todo foram analisados mais de 13,4 milhões de ficheiros recolhidos a partir de um conjunto de novas fugas de informação. Os chamados Paradise Papers (Papéis do Paraíso) tiveram, em grande parte, origem na Appleby, uma sociedade de advogados sediada nas Bermudas e com filiais em Hong Kong, Xangai, nas Ilhas Virgens e nas Ilhas Caimão. Terá sido a partir destas revelações que se identificaram as relações entre Wilbur Ross e a Rússia.

Os dados mostram que o secretário do Comércio dos Estados Unidos detém uma participação numa empresa de transporte marítimo – Sibur – com ligações a outra empresa que é detida pelo genro do presidente russo, Vladimir Putin, e por um magnata russo visado nas sanções económicas aplicadas pelos Estados Unidos à Rússia – a Navigator Holdings. Wilbur Ross havia abdicado da maioria das suas participações em empresas antes de ser nomeado para o cargo e, ter-se-á mantido ligado a esta. Desde então a Navigator Holdings recebeu 68 milhões de dólares (58,5 milhões de euros) da Sibur.

Também a rainha Isabel II foi referenciada pela utilização de offshores para investimentos imobiliários e empresariais. A casa real já tinha tornado público os investimentos imobiliários da rainha, mas esta investigação vem agora mostrar que esses negócios se alargaram a outras áreas. Os documentos mostram que a rainha Isabel II terá investido dez milhões de libras (12,3 milhões de euros) a partir de um fundo nas ilhas Caimão.

O conselheiro de Justin Trudeau é outro dos nomes que aparece na lista. Stephen Bronfman terá transferido milhões dólares para as ilhas Caimão, fugindo a impostos no Canadá, Israel e Estados Unidos. O vocalista dos U2, Paul Hewson (Bono), Madonna e Paul Allen, co-fundador da Microsoft, são outros dos nomes visados neste novo capítulo da investigação, que se estende a multinacionais, que “evitam pagar impostos recorrendo a esquemas de contabilidade cada vez mais criativos”, escreve o ‘Expresso’. Nos próximos dias serão conhecidos novos desenvolvimentos da investigação.

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