“Parada Ku Klux Klan”. ‘Vice’ de Rui Rio repudia manifestação por querer “transformar país naquilo que ele não é”

O deputado e vice-presidente do PSD André Coelho Lima mostrou-se indignado, nas redes sociais, com a manifestação de extrema-direita que teve lugar este fim de semana em frente à sede da SOS Racismo e apelou para que “não se transforme o país em algo que ele nunca foi”.

Flickr/PSD

O deputado e vice-presidente do Partido Social Democrata (PSD) André Coelho Lima repudiou esta terça-feira a manifestação de extrema-direita, ao estilo Ku Klux Klan, que teve lugar no fim de semana passado em frente à sede da associação SOS Racismo. O social-democrata mostrou-se indignado com os manifestantes por querem fazer de Portugal “um país intolerante” e apelou para que “não se transforme o país em algo que ele nunca foi”.

“Mas o que vem a ser isto!?? Porventura Portugal agora é um país intolerante a outras raças?? Após séculos de História a demonstrar o contrário?? Não se transforme o meu país em algo que ele nunca foi”, escreveu André Coelho Lima, na sua conta oficial no Twitter.

A manifestação realizada no sábado passado, em frente à sede da SOS Racismo, motivou uma queixa da organização ao Ministério Público. O SOS Racismo chamou-lhe a “parada Ku Klux Klan”, tendo em conta as semelhanças com as manifestações do grupo norte-americano de supremacia branca. Isto porque os manifestantes usaram máscaras brancas a tapar o rosto e tochas, à semelhança da organização extremista norte-americana.

De acordo com o jornal “Público”, os participantes serão membros da Resistência Nacional, um novo grupo que reúne antigos militantes da Nova Ordem Social, Partido Nacional Renovador e dos Portugal Hammer Skins e este terá sido mais um episódio de afronta ao SOS Racismo, que acusa os participantes da manifestação de ameaças à integridade física, ofensas morais e danos patrimoniais e incitamento ao ódio e violência.

O vice-presidente do PSD escreve ainda, no Twitter, que se os manifestantes querem protestar contra alguma coisa devem assumido, até porque, em democracia, “pode-se”.

“Isto é uma escalada. Uma coisa é fazerem uma manifestação no espaço público em que assumem uma posição política contra o anti-racismo, o que é inaceitável em democracia, mas elegerem uma organização anti-racista como alvo a abater, fazer ameaças de morte e, não contentes, fazerem uma parada militar à moda de Ku Klux Klan ultrapassa todos os limites do confronto ideológico”, afirmou ao “Público” Mamadou Ba, dirigente do SOS Racismo.

A manifestação da extrema-direita tinha como propósito servir de “homenagem aos polícias mortos em serviço” e repudiar “o racismo anti-nacional”. No mês passado, a fachada da associação anti-racismo foi vandalizada com frases que diziam: “Guerra aos inimigos da minha terra”.

O presidente do PSD, Rui Rio, tem defendido, no entanto, que em Portugal “não há racismo”. “Não noto isso na sociedade portuguesa. Não há racismo na sociedade portuguesa. Pequenos focos, numa ou noutra pessoa”, disse, numa entrevista à TVI, no início de junho.

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