As críticas à Holanda pela sua falta de solidariedade demonstrada com a União Europeia em geral e com os países do sul em particular – ao recusar a criação dos eurobonds exigidos por Espanha, Portugal e Itália para combater a crise causada pela Covid-19 – estão a afetarar o governo de centro-direita liderado por Mark Rutte. Dois dos parceiros da coligação no poder, os liberais de esquerda (D66) e a União Cristã (CU), afirmaram estar disponíveis para apoiar um plano mútuo de combate às consequências económicas da pandemia ou aquilo a que chamam um plano Marshall para a União.
Ou seja, a posição irredutível do primeiro-ministro e do seu ministro das Finanças, Wopke Hoekstra, sobre a matéria, está a produzir fissuras num governo que é apoiado por um leque de partidos demasiado diversos (em termos ideológicos) para poder estar sempre de acordo – principalmente num tema ‘fraturante’ como este.
Não é a primeira vez que o executivo holandês mostra sensibilidades diferentes sem perder a coesão, mas é surpreendente que as duas vozes discordantes sejam porta-vozes políticas no Congresso, que tem mostrado apoiar a posição oficial de firmeza defendida por Rutte.
A coaligação governamental está bem sintonizada, mas isso não impediu Gert-Jan Segers, porta-voz parlamentar da União Cristã, de advogar perante o Parlamento “por um plano Marshall para o sul da Europa, que foi devastado pela Covid-19”. Para apoiar o argumento, Segers enfatizou que “a Itália é um drama, o país está em ruínas, e acho que a primeira mensagem deve ser ‘nós vamos ajudá-la’”.
Rob Jetten, porta-voz de esquerda liberal, tem criticado ainda mais a dura linha do executivo, lembrando que “a Holanda tornou-se rica graças à Uniãi Europeia”. “Com empregos e salários a desaparecerem em toda a Europa por causa da pandemia, não devemos abandonar os nossos amigos. Vamos resolver isto juntos”, escreveu em sua conta no Twitter.

