Passos Coelho: “Não tive conhecimento” de transferências para offshores

Líder do PSD quer investigação “até às últimas consequências” das transferências para paraísos fiscais que terão escapado ao controlo do fisco.

Cristina Bernardo

O líder do PSD afirmou hoje no Parlamento que não teve conhecimento dos 10 mil milhões de euros transferidos para offshores que terão escapado ao tratamento da AT – Autoridade Tributária e Aduaneira, entre 2011 e 2014 – o período em que foi primeiro-ministro. Passos Coelho mostra-se disponível para apurar o caso e levar “até às últimas consequências” essa investigação.

No debate quinzenal com o primeiro-ministro, Passos Coelho foi confrontado pelo Bloco de Esquerda (BE) com a investigação do jornal Público, que identificou um conjunto de 20 transferências para paraísos fiscais, comunicadas pelos bancos, e que escaparam ao controlo da AT.

“O governo anterior deixou sair pela porta do cavalo dez mil milhões de euros. É um número nada pequeno, é mais do que gastamos com o Serviço Nacional de Saúde”, acusou Catarina Martins, coordenadora do BE.

Na ocasião em que desempenhei funções governativas, nunca tive conhecimento de situações destas”, afirmou Passos Coelho, acrescentando que é “o primeiro interessado em apurar tudo o que se passou”.

O líder social-democrata elencou um conjunto de questões que é preciso perceber sobre esta polémica – nomeadamente porque é que um despacho do antigo do secretário de Estado não foi cumprido, por que não se publicaram os dados estatísticos sobre as transferências para offshores, ou que circunstâncias podem ter feito com que as operações não tenham sido alvo de tratamento fiscal.

“Nós ouviremos aqui os responsáveis políticos quer da administração fiscal. E levaremos até às últimas consequências o apuramento dessa situação”, garantiu Passos Coelho, acrescentando: “Faremos o contrário do que os senhores fizeram na maioria e na oposição relativa à CGD, onde existe plena ocultação e uma violação das regras mais básicas da transparência”.

António Costa admite “discrepâncias significativas”

O chefe do executivo, António Costa, admitiu que o governo detetou “discrepâncias significativas” em 20 operações feitas sem o tratamento da Autoridade Tributária.

“Em 2015, o Governo ordenou que fosse verificado o que tinha acontecido quanto ao registo das operações entre 2011 e 2015 de transferências para ‘offshore'”, afirmou Costa em resposta às questões de Catarina Martins.

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