Paulo Gonçalves: oito títulos de campeão nacional em três clubes diferentes

Na carreira, feita por passagens pelo Futebol Clube do Porto, primeiro, depois pelo Boavista Futebol Clube e, agora, pelo Benfica, Paulo Gonçalves viu as principais equipas de futebol profissional dos clubes com que colaborava ganharem um total de 23 troféus.

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Paulo Gonçalves, o responsável pelo departamento jurídico do Sport Lisboa e Benfica que foi detido esta terça-feira por suspeitas de corrupção, já trabalhou em três clubes diferentes, que, enquanto com eles colaborou, venceram oito títulos de campeão nacional.

No total, na sua carreira, feita por passagens pelo Futebol Clube do Porto, primeiro, depois pelo Boavista Futebol Clube e, agora, pelo Benfica, Paulo Gonçalves viu as principais equipas de futebol profissional dos clubes com que colaborava ganharem 23 troféus. Às oito ligas conquistas juntam-se três taças de Portugal, cinco supertaças e sete taças da Liga.

Nascido no Porto, Paulo Gonçalves começou a trabalhar, depois de feito o curso de Direito, no principal clube da cidade, o Futebol Clube do Porto. Chegou em 1997, a tempo de ver Jardel a voar entre os centrais, bem servido por Capucho e Drulovic, para a conquista de um inédito tetracampeonato. Na época seguinte, com a mesma base, onde pontificavam Costinha, Deco e Zahovic, mas agora sem António Oliveira ao leme, substituído por Fernando Santos, o Porto conquista o pentacampeonato, feito nunca antes conseguido em Portugal.

Cinco títulos depois (dois campeonatos, duas supertaças e uma taça), Paulo Gonçalves deixa as Antas nesse ano e o Porto fica três anos sem ser campeão. Muda-se para o Bessa, para junto de João Loureiro, e é lá que encontra uma equipa que Jaime Pacheco está a construir: Ricardo, na baliza; Pedro Emanuel, na defesa; o boliviano Sanchéz no meio campo. Na época 2000/2001 juntam-se a estes Petit e o atacante Silva, para o primeiro título de campeão das “panteras”.

Na época seguinte, o Boavista ainda se classifica em segunda lugar, atrás do Sporting, que acabou com um jejum de 12 anos. A partir daí, a vida do Boavista não foi fácil e Paulo Gonçalves não fica mesmo até ao fim, para assistir à decisão do Comité Disciplinar da Liga Portuguesa de Futebol de despromover o clube por coacção de árbitros na temporada 2003/2004, em que o Porto de Mourinho foi campeão português e campeão da Europa.

Da cidade do Porto, Paulo Gonçalves ruma a Lisboa, para o Estádio da Luz, onde já se encontrava o empresário José Veiga, desde 2004, tenho sido apontado como o obreiro da vitória do campeonato na época 2004/2005, em que Trapattoni, Argel, Petit, Manuel Fernandes, Simão Sabrosa e Nuno Gomes puseram fim a uma seca de 11 anos, a maior de sempre sem os “encarnados” vencerem o campeonato. Foi Gonçalves a chegar, já a época 2006/2007 decorria, e Veiga a sair, depois da contestação ao poder que o antigo empresário – e antigo sócio da família Oliveira – acumulara na Luz. Chega numa época conturbada, com três treinadores e um quarto lugar na Liga. Chamaram-lhe “annus horribilis”. Na época seguinte ainda foi Quique Flores, mas depois chegou Jorge Jesus.

Paulo Gonçalves fica e cimenta uma posição que o torna indispensável ao presidente Luís Filipe Vieira. Nestes cerca de 10 anos, a equipa conquistou 17 títulos com a primeira equipa de futebol profissional. Foram cinco campeonatos, incluindo o primeiro tetracampeonato da história do clube (o Benfica é, atualmente, tetracampeão e disputa o pentacampeonato), duas taças de Portugal, três supertaças e sete taças da Liga.

Agora, desde o ano passado, enfrenta outro campeonato, o da justiça, com diversos processos a serem investigados.

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