Paulo Portas: Presidente angolano tem mostrado “muita frontalidade”

“Olhem com atenção para África que não depende só de petróleo ou de gás. Os melhores casos de crescimento económico mais sustentado [a nível global] são em África”, destacou Paulo Portas.

O processo de transição de presidente em Angola está a ser feito com “bastante frontalidade” por João Lourenço, considera Paulo Portas.

“Está a fazer uma transição que não é simples, mas esta a faze-lo com bastante frontalidade”, afirmou Paulo Portas. “Angola tem tudo para ser um pais muito convidativo”.

As declarações do antigo vice-primeiro-ministro tiveram lugar à margem do “Connecting Africa”, um evento sobre o investimento em África, na terça-feira, 11 de junho, onde destacou a importância crescente do continente africano para a economia global.

“Se África conseguir garantir estabilidade política, de forma a fazer retroceder os conflitos que às vezes existem do ponto de vista de segurança, se investir muito na segurança dos contratos, ou seja na confiança dos investidores, é de longe o continente que no século XXI pode aproximar-se mais do papel que a Ásia desempenhou no final do século XX”, declarou.

Paulo Portas também destacou que a crescente urbanização da população africano vai exigir um maior investimento. “África terá qualquer coisa como 15 cidades com mais de 15 milhões de habitantes daqui a 10 anos, é quase amanhã. Imagine o que isso significa do ponto de vista de escolas, saúde, luz, abastecimento de água, transportes, infraestruturas, habitação, e que impactos é que isso tem na demografia”.

Conforme apontou, África vai ter “metade do crescimento populacional do mundo até 2050. Se o mundo tiver mais 2,2 mil milhões de habitantes, cerca de 1,3 mil milhões são em África, isto é um enorme acelerador de necessidades, de reformas, e também de oportunidade e de uma enorme necessidade de melhorar logística e infraestruturas

Sobre o investimento no setor da energia neste continente, o antigo líder do CDS destacou a importância de assegurar a estabilidade dos contratos. “África só precisa de estabilidade e de oferecer segurança do ponto de vista dos contratos, se pensar nas condições climatéricas que África tem para as energias renováveis”.

“Nós ainda vamos precisar das energias menos limpas durante mais tempo do que às vezes se diz, mas a própria OPEP [Organização dos Países Exportadores de Petróleo] reconhece que há um momento a partir do qual a procura vai declinar. É preciso tratar da competitividade em vários fatores das energias que são mais limpas para que os investidores adiram e para que os consumidores adiram”, afirmou.

Paulo Portas diz ter “muita esperança no novo acordo comercial em África”. “Vivemos num mundo onde há demasiados ímpetos protecionistas. Há demasiadas barreiras tarifarias, cada vez que há uma barreira tarifaria um produto fica artificialmente mais caro e isso não tem nada a ver com o mérito nem da empresa, nem dos acionistas, nem dos trabalhadores, tem a ver com decisores políticos”.

“O potencial de desenvolvimento, a obrigação em que os países vão ficar de melhorar as redes logísticas, e de facilitarem o ambiente de negócios, é muito importante. É um grande sinal que África seja capaz com 52 dos 55 países a fazerem um acordo de livre comercio nestes tempos protecionistas é um grande sinal”, começou por destacar.

“Em menos de um ano, dos 52 países que assinaram o Tratado de Livre Comércio de África Continental, 24 já entregaram as ratificações, o que quer dizer que o tratado vai baixar as tarifas em cerca de 90% nas fronteiras dos produtos africanos quando vão de uns países para os outros em África”, rematou.

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