“Perfeitamente lamentável”. Fernando Medina critica fecho da CGD na Ajuda

Em entrevista ao Jornal Económico, em junho, o presidente da junta de freguesia da Ajuda revelou que vai transferir para outro banco os 3 milhões de euros que a junta tem depositados na Caixa Geral de Depósitos.

Ler mais

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa considera que o encerramento da dependência da Caixa Geral de Depósitos (CGD) na Ajuda é “perfeitamente lamentável” e criticou que o município não tenha sido consultado. Na reunião descentralizada do município, realizada na noite de quarta-feira, 11 de julho, destinada a ouvir os munícipes de Alcântara, Ajuda e Belém, Fernando Medina (PS) disse já ter tido oportunidade de transmitir a sua indignação à administração do banco e apelar para que “o erro fosse corrigido”.

Medina considerou ser “perfeitamente lamentável”, dado que “não houve nenhuma consulta nem nenhuma informação à Câmara de Lisboa” relativamente a esta decisão.

Na sua opinião, “o fecho do balcão da Ajuda só pode ser um erro de quem não conhece rigorosamente nada do território da cidade de Lisboa”, e recusou que a dependência de Alcântara possa substituir a da Ajuda, uma vez que “ninguém fará essa deslocação”.

“O que me interessa é que a Caixa fique aberta para benefício das pessoas. Se não for assim, acho que a Câmara e a Junta de Freguesia têm de ter todas as iniciativas para fazer ver à Caixa Geral de Depósitos que não apoiando a cidade nem apoiando a freguesia, que nós também não contaremos com a Caixa em múltiplas dimensões”, afirmou.

Na mesma linha, o socialista prometeu “total empenho da Câmara contra este encerramento, e total empenho em fazer pagar caro o preço se este encerramento avançar”.

A população e a autarquia local têm realizado ações para tentar travar o encerramento da dependência da Boa Hora. No final de junho, cerca de 100 pessoas concentraram-se à porta da sede da CGD, onde foi entregue um documento com perto de duas mil assinaturas contra o fecho do balcão.

Por sua vez, o presidente da Junta de Freguesia da Ajuda, Jorge Marques, considerou “fundamental a manutenção dos serviços da CGD” naquele local, uma vez que “aquela população não se vai conseguir deslocar para mais sítio nenhum”.

“Por nós ainda não desistimos da luta. Que possamos continuar neste caminho até que a Caixa consiga perceber que não é vergonha nenhuma corrigir um erro, […] nós não levamos a mal, ficamos amigos como dantes”, acrescentou o autarca.

Jorge Marques apontou também que a Ajuda é a zona da cidade “mais mal servida de transportes públicos”, mostrando-se convicto de que “30% da freguesia não é servida” de transportes coletivos.

Em entrevista ao Jornal Económico, em junho, Jorge Marques revelou que vai transferir para outro banco os 3 milhões de euros que a junta tem depositados na Caixa Geral de Depósitos. O presidente da junta mostrou-se, então, indignado com a decisão do banco, liderado por Paulo Macedo, relatando que os mais de 16 mil habitantes da Ajuda se sentem “abandonados”.

Na reunião de quarta-feira, o vereador bloquista Ricardo Robles (que firmou um acordo de governação da cidade com os socialistas) disse que estes são “serviços importantíssimos à cidade e à sociedade, e portanto devem ser protegidos”.

Na sua intervenção no debate, o vereador do PSD João Pedro Costa advogou que, estando o “Partido Socialista há três anos no Governo”, se quisesse “já tinha dado as instruções que queria dar à Caixa Geral de Depósitos para desenvolver as políticas que tinha a desenvolver, e portanto chega de continuar a afastar responsabilidades”.

Também João Ferreira (eleito do PCP) salientou que “a Caixa é um banco público, é do Estado, e só encerra balcões se o Governo permitir que esses balcões encerrem”.

Em resposta, o presidente da Câmara de Lisboa afirmou ser “absolutamente irrelevante quem é o Governo que está à frente, quem é o presidente que está à frente” da instituição.

“Não me favorece nem me diminui nenhuma avaliação sobre as decisões que toma” a CDG, vincou Medina.

Relacionadas
Qual é o banco que satisfaz mais os portugueses?
Um inquérito da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco) revela qual é o banco que mais satisfaz os clientes portugueses entre as instituições bancárias.
“Encerramento vai ter um impacto muito violento”: Freguesia da Ajuda teme fecho do balcão da Caixa
Em entrevista exclusiva ao Jornal Económico (JE), que teve lugar na sede da junta e nas ruas da freguesia, Jorge Manuel Marques, presidente da Junta de Freguesia da Ajuda, em Lisboa, mostrou-se indignado com a decisão do banco. Freguesia vai retirar os 3 milhões de euros que tem depositados no banco público.
CDU lança abaixo-assinado contra encerramento do balcão da CGD do Caniço
A CDU apela à reversão da política de encerramentos de balcões da CGD e à mobilização da população no sentido de demonstrarem o seu descontentamento face à degradação dos serviços prestados pela instituição bancária.
Recomendadas
João Lourenço: “Investimentos portugueses são bem-vindos”
O Presidente angolano, João Lourenço, afirmou esta terça-feira que os investimentos diretos portugueses em todos os setores em Angola são “bem-vindos” e que Portugal pode assumir um papel relevante no desenvolvimento dos dois países.
Costa: Portugal deseja mais empresas e investidores angolanos no país
O primeiro-ministro, António Costa, frisou esta terça-feira que Portugal deseja mais empresas e investidores angolanos no país, salientando que as parcerias económico-financeiras são “entre iguais”, e agradeceu o apoio político angolano às candidaturas portuguesas a lugares internacionais.
“Laços políticos são ingredientes sem os quais outras ligações ficam comprometidas”, diz Jornal de Angola
Angola não pode transformar-se numa plataforma para viabilizar as exportações dos seus parceiros, alerta o diretor do “Jornal de Angola”, acrescentando que o País precisa de investimentos no seu sector produtivo e de transferência de “know-how”. Apelo incide ainda no reforço de laços políticos e surge no dia em que António Costa se encontra com o Presidente de Angola.
Comentários