Perfil: Azeredo Lopes, um polemista que encalhou em Tancos

Não vira as costas a um bom debate mas, nos corredores da faculdade onde deu aulas, era considerado um professor distante e reservado. E parece que é boavisteiro, apesar de se dar com portistas.

António Cotrim/Lusa

Tornou-se mais conhecido dos portugueses como comentador de assuntos políticos e nunca virava as costas a uma boa discussão ideológica. José Alberto Azeredo Lopes – que deixou de resistir aos muitos que há muito (desde Tancos) o consideravam um dos erros de casting do atual executivo – deu sempre mostras de estar intelectualmente à vontade no meio de uma boa refrega de palavras e mostrava mesmo algum propensão para se atirar para o olho do furacão sempre que isso fosse viável.

Por definição, alguém que está a isso disposto tem de gostar do confronto virulento, de esgrimir argumentos e de ser duro na defesa dos seus pontos de vista. Talvez por isso, os alunos que lhe passaram pelas mãos no curso de Direito da Católica do Porto tendem a considerar que Azeredo Lopes está no patamar dos pequenos ditadores. ‘Intolerante’, ‘pouco acessível’, ‘indisponível para tirar dúvidas’, foram alguns dos atributos recolhidos.

Tendo preferido sempre a vida académica a uma carreira profissional mais ligada à advocacia, não deixou de criar alguma surpresa quando foi convidado para liderar a Entidade Reguladora para a Comunicação Social. Nessa altura, como sempre, esgrimiu poderosa argumentação quando, fazendo parte de um grupo fechado de jornalistas (no Facebook), alguém se lembrou de o expulsar. Isso não chegou a acontecer.

Foi já com muito menos espanto que assumiu o cargo de ministro da Defesa, que deixa agora sem pompa, acossado pelas críticas vindas de quase todo o lado.

Professor Associado da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa, Porto, onde lecionava disciplinas na área do direito internacional, é Doutorado em Direito, Ciências Jurídico-Políticas pela mesma universidade, possui ainda o diploma do Instut Européen des Hautes Études Internaonales (1985). Foi consultor em questões de direito internacional e membro da direção do International Instute for Asian Studies and Interchange. Foi ainda relator numa missão de observadores internacionais a quando da consulta popular em Timor-Leste sobre a independência (1999) e relator para o sector judicial da Missão do Banco Mundial a Timor-Leste (1999).

Antes disso havia sido bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian (1985/1985) e do governo holandês (1990) e foi membro do grupo de trabalho sobre Serviço Público de Televisão (2002). Negociou, em representação do ministro da Presidência do Conselho de Ministros do XV Governo Constitucional, Nuno Morais Sarmento, o Protocolo RTP-SIC-TVI, assinado em 21 de Agosto de 2003, e foi responsável pelo acompanhamento da sua execução.

Tudo isto é referido na nota biográfica que consta dos artigos da ERC, que, curiosamente, concluiu o perfil do agora ex-ministro afirmando que é boavisteiro. O que não o impediu de ser, entre 2013 e 2015, chefe de Gabinete do presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, um empedernido portista que não quer mais cargos políticos quando deixar a autarquia.

 

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