Petição contra a criação do museu Salazar já tem mais de 14 mil assinaturas

Antigos presos políticos já escreveram ao primeiro-ministro a expressarem o seu “veemente repúdio” pela criação de Museu Salazar. Além da petição contra a criação do museu, existe outra petição a defender a criação do mesmo.

A criação de um Centro Interpretativo do Estado Novo pela Câmara Municipal de Santa Comba Dão tem gerado controvérsia desde 2007, quando se pôs em cima da mesa a possibilidade da criação de um mesmo museu. No entanto, o atual presidente da autarquia, Leonel Gouveia, garantiu que as obras avançam ainda este mês e que vão ter um custo de 150 mil euros, sendo que o museu vai ser instalado na antiga Escola Cantina Salazar no Vimieiro.

Na altura, surgiu uma petição “contra a concretização do museu Salazar” e a “propaganda do regime corporativo fascista do Estado Novo”, que reuniu um total de 16 mil assinantes. Agora, 12 anos mais tarde e com as obras do Centro Interpretativo a serem iniciadas, surgem novas petições, desta vez uma contra e outra a favor.

A petição contra, apelidada de ‘Museu Salazar, Não‘, reúne mais de 14 mil assinaturas, e foi iniciada por nomes como Albano Nunes, António Avelãs Nunes, António Regala, António Taborda, Carvalho da Silva, Francisco Fanhais, José Barata Moura, José Sucena e Pedro Adão e Silva, entre outros.

Na petição que tem como remetente o primeiro-ministro, os responsáveis escrevem que apoiam a carta dirigida a António Costa no passado dia 12 de Agosto de 2019, por 204 ex-presos políticos [do Estado Novo]”, apelando assim ao Governo para “impedir a concretização de tal projecto que, longe de visar esclarecer a população e sobretudo as jovens gerações, se prefigura como um instrumento ao serviço do branqueamento do regime fascista e um centro de romagem para os saudosistas do regime derrubado com o 25 de Abril”.

Entre os que estão contra a criação do Centro Interpretativa, encontram-se nomes como os dois historiadores Fernando Rosas e António Borges Coelho, o escritor Mário de Carvalho, o músico José Mário Branco, a médica Isabel do Carmo, a escritora Maria Teresa Horta e o conselheiro de Estado e ex-dirigente do PCP Domingos Abrantes. Alguns destes nomes afirmam que “o país precisa não de instrumentos de propaganda do fascismo, mas de meios de pedagogia democrática que não deixem esquecer o cortejo de crimes do fascismo salazarista e preserve a memória das suas vítimas”.

João Azevedo, cabeça de lista do PS no distrito de Viseu às legislativas de 6 de Outubro, afirmou ao jornal ‘Público’ estar contra a criação de um Museu Salazar mas a favor do Centro Interpretativo do Estado Novo.

Na petição que mostra estar a favor da criação do museu, ‘Museu Salazar, Sim‘, tem como objetivo chegar à Assembleia da República e reúne mais de sete mil assinaturas, metade do que a contra. “Apoiando ou não apoiando a obra de Salazar e o que se passou durante o Estado Novo, todos temos o direito de conhecer os factos de forma isenta”, sustenta a petição a favor.

O assinante Rui C. afirmou que assinou a petição a favor do museu porque “a história, seja boa ou má, nunca deve ser apagada. Na Alemanha, em cada canto e esquina, existe referência ao III Reich [Alemanha Nazi]. Porque nunca nos devemos esquecer do nosso passado enquanto preparamos o presente para os nossos filhos”.

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