Portugal coloca quatro mil milhões com juro de 2,05%

Emissão a 10 anos beneficiou da forte procura por parte dos investidores, o que contribuiu para baixar o custo do financiamento. Em janeiro do ano passado, o IGCP tinha pago mais do dobro numa colocação de dívida semelhante.

Cristina Bernardo
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Portugal concluiu esta quarta-feira uma emissão de quatro mil milhões de euros em Obrigações do Tesouro (OT) a dez anos. A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, o IGCP, obteve uma taxa de 2,05%, um valor ligeiramente acima dos 1,939% da última emissão, realizada em novembro, bem como da taxa no mercado secundário para a mesma maturidade (1,85%).

“Foi uma emissão muito boa para o Estado português, com uma procura muito forte, com uma taxa baixa para um prazo longo”, explicou o diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa, Filipe Silva, sobre a procura, que foi de 17,2 mil milhões de euros.

“Tão positivo como a taxa foi a forte procura: Portugal é dos países com um risco não muito elevado que paga melhor a quem nos empresta dinheiro. Daí a procura ter sido muito superior à oferta”, afirmou.

Silva salientou que há poucos anos Portugal só conseguia emitir com taxas de 4% ou 5%, enquanto nas  últimas emissões, o Tesouro tem conseguido taxas abaixo de 3% ou mesmo 2%.

“Esta manhã, o spread começou nos 120 pontos base, mas veio a descer até aos 114, o que se traduz num spread de 1,14%. São ótimas notícias para o país que consegue assim fazer o rollover da dívida, financiando-se a custos cada vez mais baixos”, acrescentou o diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa. “Só assim conseguiremos tornar a nossa dívida sustentável”.

O sindicato bancário que o IGCP mandatou para realizar a operação é formado pelo Novo Banco, Barclays, Citi, Crédit Agricole, Goldman Sachs e JP Morgan.

Na passada segunda-feira, o IGCP apresentou o programa de financiamento da República para 2018. O programa prevê necessidades de financiamento líquidas de 10,9 mil milhões de euros, contra 12,5 mil milhões em 2017.

A agência liderada por Cristina Casalinho vai manter a atual estratégia de financiamento baseada em emissões regulares de OT, prevendo levantar 15 mil milhões de euros através destes instrumentos, este ano, através de vendas sindicadas e leilões. Quanto aos Bilhetes do Tesouro, títulos de dívida com maturidades até dois anos, o IGCP prevê que o financiamento líquido resultante destas emissões tenha impacto nulo. “Será mantida a estratégia de emissão [de BT] ao longo de toda a curva, combinando prazos curtos com prazos longos”, explicou o IGCP.

“Oportunidades para realizar operações de troca e recompras de títulos serão exploradas. Na Estratégia de Financiamento para 2018 o IGCP também antecipa uma contribuição positiva de 1,8 mil milhões de euros de produtos de retalho”, adianta.

[Notícia atualizada às 12h50]

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