Portugal disponível para cooperar com Cabo Verde para recuperação da crise

Ministério dos Negócios Estrangeiros português fala do arquipélago africano como um “parceiro estratégico”.

O Governo português mostrou esta quinta-feira disponibilidade para cooperar com Cabo Verde para uma recuperação conjunta da crise provocada pela covid-19, recordando que Portugal antecipou os desembolsos para apoio ao orçamento deste país africano, segundo fonte oficial.

De acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros português, num esclarecimento solicitado pela agência Lusa, a propósito da posição defendida na segunda-feira pelo vice-primeiro-ministro de Cabo Verde, Olavo Correia, de uma “reconversão” da dívida de 600 milhões de euros a Portugal em “investimentos estratégicos” no arquipélago, Portugal “estará sempre disponível para cooperar com Cabo Verde”.

“Portugal estará sempre disponível para cooperar com Cabo Verde, nosso parceiro estratégico, criando oportunidades de recuperação conjunta da crise provocada pela pandemia de covid-19”, segundo o MNE português.

Este ministério recordou que o Governo “procedeu, desde logo, à antecipação dos desembolsos para Apoio Geral ao Orçamento de Cabo Verde e tem procurado apoiar a recuperação e o desenvolvimento económico, através dos instrumentos da cooperação bilateral, permanentemente avaliando a melhor forma de defender a resiliência das relações económicas e comerciais”.

No âmbito das medidas de política económica em resposta à covid-19, Portugal procedeu à antecipação dos desembolsos para Apoio Geral ao Orçamento de Cabo Verde, no valor de 500 mil euros.

Na segunda-feira, depois de receber o novo embaixador português em Cabo Verde, António Albuquerque Moniz, Olavo Correia, que é também ministro das Finanças, sublinhou que Portugal “é um parceiro estratégico”.

“É o maior credor da dívida externa cabo-verdiana, entre financiamento bilateral e operações com a banca estamos a falar de aproximadamente de 600 milhões de euros”, reconheceu o governante, acrescentando que a abordagem, no futuro, passa pela “reconversão dessa dívida em investimentos estratégicos nos mais diversos domínios”.

“Do digital, à transformação agrícola, das energias renováveis, da educação, da transformação de Cabo Verde enquanto país plataforma, mas também a inclusão social e da promoção da qualificação das instituições. Uma reconversão em condições que poderão ser do interesse de Cabo Verde e de Portugal”, sublinhou Olavo Correia.

Cabo Verde vive já uma crise económica provocada pela pandemia de covid-19, com o setor do turismo, que garante 25% do Produto Interno Bruto (PIB), parado desde março. Para colmatar a falta de receitas fiscais e face ao aumento das despesas com prestações sociais e cuidados de saúde, o Governo anunciou que já negociou moratórias para o pagamento da dívida do país.

Cabo Verde regista 2.373 infetados pelo novo coronavírus e 23 mortos.

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