Portugal é “campeão europeu” dos incêndios. Todos os anos arde mais de 3% de floresta

Aos olhos da Associação Natureza Portugal/Fundo Mundial para a Natureza (WWF), Portugal é o campeão dos incêndios. O relatório “Um Planeta em Chamas” responsabiliza a situação ao abandono rural, cessação de atividades agrícolas tradicionais e ausência de políticas sérias de gestão do território e gestão florestal responsável.

Portugal é “o campeão europeu” dos incêndios, onde todos os anos arde mais de 3% da floresta, uma situação que se deve ao abandono rural, cessação de atividades agrícolas tradicionais e ausência de políticas.

O relatório “Um Planeta em Chamas”, divulgado esta quinta-feira, em Portugal pela ANP/WWF (Associação Natureza Portugal/Fundo Mundial para a Natureza), traça a situação dos incêndios florestais em Portugal e Espanha e apresenta propostas para a prevenção dos fogos.

“Portugal é o país europeu mais castigado pelos incêndios. Nos últimos 30 anos é o que mais sinistros enfrentou e aquele em que mais hectares foram queimados”, lê-se no documento, dando conta que, em média, ocorrem no país, por ano, cerca de 17.000 sinistros, mais 35% do que em Espanha.

As emissões, devido aos incêndios em 2019, pressupuseram um crescimento a nível global. No total, foram libertadas 7.800 milhões de toneladas de CO2, o equivalente a mais de 115 vezes as emissões totais de Portugal, num ano. As emissões de dióxido de carbono causadas pelos incêndios têm diminuído nos últimos anos, mas em 2019 aumentaram em 26%. Comparativamente à queima de combustíveis fósseis, os incêndios equivalem a mais de um quinto dos 36.800 milhões de toneladas de carbono libertadas no ano passado.

A WWF e a ANP refletem sobre a tendência dos incêndios na Península Ibérica. Nos últimos vinte anos, a maior consciência dos cidadãos e a crescente penalização criminal conseguiram reduzir o número de incêndios que ocorrem a cada ano. Em Espanha, entre 2010 e 2019, o número de acidentes foi reduzido em 36% em relação à década anterior. No entanto, esse cenário não é visível em território nacional. Todos os anos ainda são queimados, cerca de 120.000 hectares em Portugal, mais 20% do que em Espanha, apesar de ter menos 80% de superfície florestal.

“Este valor significa que todos os anos Portugal vê arder mais de 3% da sua superfície florestal, em comparação com 0,4% em Espanha. Portugal é o primeiro país da Europa e o quarto do mundo que perdeu a maior massa florestal desde o início do século XXI, em grande parte devido aos incêndios florestais que assolam o país todos os verões”, precisa o documento.

A WWF sustenta que “ano após ano, a área ardida não para de crescer” em Portugal, justificando esta situação com “um sem fim de fatores, desde o abandono rural, cessação de atividades agrícolas tradicionais, à ausência de políticas sérias de gestão do território e gestão florestal responsável”.

Os incêndios florestais já não representam apenas danos ao património ambiental e rural, sublinham as organizações ambientais, são também “um grave risco para a vida das pessoas e um lastro para os cofres públicos” ao deixar milhares de desalojados e danos materiais não quantificáveis.

Posto isto, o relatório urge o Governo a pôr em prática o Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais, divulgado na passada terça-feira, e que visa 500 milhões de euros do público e do privado “para que o país venha a conseguir reduzir para metade a área anualmente ardida em fogos rurais e diminuir os danos provocados por eventos graves”.

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